Renda adequada

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por: Revista Cobertura Total leituras: 317 Nº de Palavras: 3076 Data: Thu, 29 Nov 2012 Hora: 11:55 AM 0 comentários

Nos últimos anos, o maior desafio das empresas de previdência privada era convencer o brasileiro, com pouca renda e acostumado a pensar no curto prazo, a se conscientizar de que o futuro começa hoje. Um grande passo foi dado. A expectativa é de que o setor encerre o ano com R$ 330 bilhões. Em 2020, arriscam os especialistas, deve chegar a R$ 1 trilhão. O salto deve ser garantido por um imenso contingente de pessoas que sabem que precisam poupar. A renda média da classe C, que representa mais de 50% da população, gira de R$ 1 mil a R$ 4 mil e o benefício médio pago pelo governo não ultrapassa R$ 700. Ou seja, boa parte precisará complementar a aposentadoria do INSS.

"Temos clientes", diz Lúcio Flávio de Oliveira, presidente da Bradesco Vida e Previdência. Dados do Banco Central revelam que a ascensão de 36 milhões de pessoas para a classe C, entre 2003 e 2011, elevou o número dos que têm uma conta bancária de 55,7 milhões para 90,7 milhões. O total de pessoas com algum produto bancário passou de 87,6 milhões para 161,9 milhões. "O maior desafio de todos, trabalhadores e gestores, agora é garantir renda e produtos adequados para gerar patrimônio de qualidade num cenário de juros baixos."

O país avançou, mas ainda engatinha na previdência complementar. São mais de R$ 800 bilhões em reservas dos fundos de pensão e planos abertos, o que representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a consultoria Mercer, especializada em benefícios para a aposentadoria. Comparado a participação do setor que chega a 120% do PIB nos EUA, é possível perceber o quanto ainda é possível crescer no Brasil.

Além de persistir na conscientização de que é fundamental começar a poupar desde cedo para ter um futuro mais tranquilo, os gestores e investidores precisam fazer o dinheiro aplicado render acima da correção da inflação. "O botão do piloto automático foi desligado. Até este ano foi possível atingir metas com aplicação em renda fixa atreladas aos títulos do governo, praticamente sem riscos. Com a sinalização de juros baixos, os gestores vão ter desafios com a aplicação de seus ativos para atrair o investidor com rentabilidade maior e taxas menores", diz Richard Vinhosa, CEO da Zurich Vida e Previdência.

A surpresa de quem fez os cálculos é grande. Para começar, é preciso poupar mais anos. A expectativa de vida subiu 25,4 anos de 1960 a 2010. Quem pensava que ia viver 70 anos tem de se preparar para viver muito mais. Quem não quiser aumentar o tempo de contribuição para atingir o valor estimado terá de triplicar o aporte mensal. Com juros reais de 1,5%, considerando-se Selic de 7,25% ao ano e inflação de 5,5%, as pessoas precisam reavaliar seus investimentos. Com tal rendimento, do qual ainda é preciso descontar taxa de administração, carregamento e Imposto de Renda, será preciso suar a camisa para acumular patrimônio.

Quem tinha planos de juntar R$ 500 mil em 20 anos, aplicava mensalmente R$ 1 mil. Para o mesmo valor, serão necessários agora 28 anos, considerando-se a mudança de patamar dos juros. Assim, a busca por rentabilidade maior e custos menores é o tom de 2013. Edson Franco, CEO da holding Santander Zurich diz que "a mudança estrutural de juros baixos força uma nova mentalidade no investidor, marcada pela diversificação. Não existe mais investimento livre de risco".

Ricardo Flores, presidente da BrasilPrev, empresa de previdência privada aberta controlada pelo Banco do Brasil e a americana Principal, acredita que o setor está preparado para o novo cenário. "As empresas de previdência complementar têm um país que oferece muitas oportunidades de investimentos", diz Flores, recém chegado ao comando da BrasilPrev após um período na presidência da Previ, maior fundo de pensão do país. "O desafio da gestão é atuar em um cenário de juros baixos, estimulando a equipe de gestores a buscar ganhos entre tantos projetos de infraestrutura que temos e que podem trazer uma rentabilidade diferenciada aos nossos clientes."

Eduardo Freitas, vice-presidente da Mapfre, aposta na inovação dos produtos que funcionam como antídotos para os efeitos da longevidade, como agregar um seguro de vida para garantir renda aos beneficiários mesmo diante de imprevistos no caminho. "Inovamos ao lançar fundos atrelados à inflação e entregamos bons resultados para nossos clientes em 2012, com fundos destacados em rankings de rentabilidade. Vamos continuar inovando e buscando conscientizar as pessoas sobre a importância dos riscos."

O trunfo das empresas de previdência está nos incentivos fiscais e objetivos de longo prazo. Sérgio Prates Nogueira Filho, superintendente comercial da Icatu Seguros, coloca a conta na ponta do lápis. "Quem tem uma renda anual tributável de R$ 150 mil vai pagar IR com alíquota de 27,5%. Mas se tiver feito contribuições no PGBL, poderá descontar R$ 27,2 mil dessa base de cálculo, o que gera uma restituição de R$ 4,95 mil. No entanto, o IR sobre investimento é cobrado no momento do saque. Ou seja, esses R$ 4,95 mil serão pagos mais à frente. E é aí que o aplicador tem de fazer a segunda opção, pelo regime de tributação, que pode ser regressivo ou progressivo.

Toda essa engenharia financeira desaba se as taxas pagas aos fundos forem salgadas. Há duas. A de administração é cobrada uma vez por ano e a de carregamento pode ser mensal, sobre os aportes. Na Caixa Vida e Previdência, a taxa de carregamento foi extinta na entrada. "Dependendo do patrimônio acumulado e se o saque for feito após três anos, ela deixa de ser cobrada também na saída dos recursos", diz o diretor Juvêncio Braga.

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