Como está, vai mal
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por: Revista Cobertura
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Data: Tue, 18 Dec 2012 Hora: 1:28 PM
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Em outras palavras, existem seguros bem feitos e seguros mal feitos e isso não tem nada a ver com o risco a ser segurado, tem a ver com a aceitação do negócio feita pela seguradora, as cláusulas aplicadas e o preço estipulado.
A regra vale para todo e qualquer seguro, tanto faz o que deve ser protegido e os riscos que devem ser cobertos. É importante ter claro que a companhia de seguros não assume os riscos do segurado. A companhia de seguros assume a obrigação de pagar prejuízos decorrentes de acontecerem eventos danosos previamente previstos na apólice.
Não tem como o segurado transferir o risco para a companhia de seguros pela simples razão de que não tem como a seguradora morrer no lugar do segurado ou pegar fogo no lugar do imóvel segurado. O que ela faz é indenizar os beneficiários do seguro de vida ou o proprietário do imóvel nos termos do seu contrato de seguro.
Por que esta introdução? Porque, diante da realidade, é fácil afirmar que nenhuma seguradora em operação no País aceitaria hoje segurar as casas dos bairros cota, nas margens da Via Anchieta, contra o risco de deslizamento de terra e desmoronamento.
De outro lado, não haveria razão mais consistente que a política comercial da companhia para não aceitar o risco de incêndio de parte desses imóveis.
A razão da diferença de tratamento é a diferença dos riscos que ameaçam o objeto do seguro. Os danos decorrentes do deslizamento da Serra do Mar na região dos bairros cota é real e os prejuízos seriam muito maiores do que o suportável pelas reservas das seguradoras. As seguradoras não constituiriam um mútuo grande o suficiente com a venda de outros seguros semelhantes, ainda que feita em todo o território nacional.
O seguro tem preço acessível porque a operação se baseia num fundo composto por todos os segurados sujeitos ao mesmo tipo de risco. Como os sinistros não acontecem na mesma hora e na mesma região, é possível oferecer proteção até para riscos com enorme potencial de danos.
O melhor exemplo disso é o seguro para furacões nos Estados Unidos. O Sandy atingiu uma determinada área, mas deixou de atingir uma muito maior, que também contrata este tipo de seguro. Quer dizer, a repartição do preço das indenizações entre todos os que estão sujeitos àquele determinado tipo de evento possibilita que cada um pague pouco para ter a proteção.
No Brasil, pouca gente contrata seguro contra desmoronamento de imóvel e menos ainda contra deslizamento de encostas. Como o número de segurados é pequeno, a única forma de viabilizar o seguro é ele custar caro. Não existe outra maneira de constituir o fundo para fazer frente aos prejuízos.
Assim, levando em conta que os moradores dos bairros cota são pessoas de baixo poder aquisitivo, é tecnicamente inviável desenvolver um seguro para deslizamento de terra para eles.
Mas será que esta regra vale para todas as outras áreas de risco de catástrofe de origem climática espalhadas pelo Brasil? A resposta é não.
Existem riscos para os quais já existe garantia de seguro. Os danos diretos causados ao imóvel por tempestades, vendavais, tornados, granizo, queda de árvore, etc. têm garantia à disposição em praticamente todos os seguros residenciais e empresariais comercializados no País.
O problema é que a maioria das pessoas instaladas nas áreas de risco não tem recursos para contratá- los. O resultado da soma da não existência de apólices para determinados riscos com a falta de capacidade econômica das vítimas potenciais para contratar os seguros que existem cria um cenário trágico, porque a população fica dependendo do governo, em seus três níveis, o que, no caso do Brasil, não quer dizer nada de bom.
Ou as autoridades mudam completamente o tratamento dado ao problema, ou continuaremos tendo as catástrofes de origem climática nos colocando entre os dez países com as maiores perdas em conseqüência desse tipo de evento.
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