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<title>Últimos Artigos sobre Humor</title>
<link>https://artigopt.com/</link>
<description>Artigos do ArtigoPT</description>
<language>pt-PT</language>
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<title>Como dar o primeiro passo para se tornar um comediante</title>
<link>https://artigopt.com/arte-e-entertenimento/humor/como-dar-o-primeiro-passo-para-se-tornar-um-comediante.html</link>
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<pubDate>Fri, 08 Feb 2013 07:16:44 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">A carreira de ator tem in&uacute;meras possibilidades e nos d&aacute; a chance, de trilhar diversos caminhos dentro da maravilhosa arte de atuar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Umas dessas &aacute;reas &eacute; a com&eacute;dia. Arte conhecida e muito apreciada pelo povo brasileiro, ber&ccedil;o de talentos incompar&aacute;veis, o ator iniciante que quer seguir como comediante poder&aacute; tamb&eacute;m encontrar muitas dificuldades no inicio. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">Como todo bom ator, al&eacute;m da afinidade com o g&ecirc;nero, dever&aacute; ter como base uma excelente forma&ccedil;&atilde;o profissional, o que um bom </span><strong><span style="font-size: 14.0pt;line-height:150%;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;mso-bidi-font-family: Verdana;color:red"><a href="http://www.ciadeteatrocontemporaneo.com.br/index.php/cursos" target="_blank" title="curso profissionalizante de teatro Rio de Janeiro">curso profissionalizante de teatro Rio de Janeiro</a></span></strong><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">, por exemplo, poder&aacute; lhe dar o suporte essencial para a carreira.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">O comediante dever&aacute; encontrar o seu estilo, seja na cria&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o de personagens , seja no estilo stand up.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Em ambos o gosto pela leitura e escrita ser&aacute; essencial e crucial para uma carreira de sucesso. O comediante deve procurar algu&eacute;m como inspira&ccedil;&atilde;o, observando o que lhe chama aten&ccedil;&atilde;o ele poder&aacute; assim come&ccedil;ar a identificar seu pr&oacute;prio estilo, e ir se aperfei&ccedil;oando, e criando sua identidade dentro da com&eacute;dia.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">No </span><strong><span style="font-size:14.0pt;line-height:150%;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;; mso-bidi-font-family:Verdana;color:red"><a href="http://www.ciadeteatrocontemporaneo.com.br/index.php/cursos" target="_blank" title="curso de teatro RJ">curso de teatro RJ</a></span></strong><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">, o aspirante a comediante poder&aacute; identificar melhor qual o caminho a seguir dentro com&eacute;dia, e poder&aacute; testar a sua veia c&ocirc;mica, e observando a rea&ccedil;&atilde;o das pessoas a sua volta.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Ali&aacute;s, esta &eacute; uma boa dica, representar personagens para seu c&iacute;rculo de amigos e familiares, contar fatos de forma engra&ccedil;ada, imitar personalidades, &eacute; uma boa forma de treinar, identificar e&nbsp; corrigir falhas, se os conhecidos come&ccedil;arem a pedir pra voc&ecirc; fazer&nbsp; novamente, esta indo pelo caminho certo. &Eacute; um bom indicador.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">Quando tiver certeza de qual estilo seguir, e j&aacute; tiver uma boa base de conhecimento, j&aacute; deu o primeiro passo agora &eacute; hora de correr atr&aacute;s das oportunidades, as dicas n&atilde;o diferem muito das dicas de qualquer artista em in&iacute;cio de carreira.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Divulgar seu trabalho, buscar testes, identificar contatos, e ter muita paci&ecirc;ncia. Ser criativo, espont&acirc;neo tamb&eacute;m ajuda muito na constru&ccedil;&atilde;o de um humorista.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Ter carisma e saber unir esta qualidade a uma boa interpreta&ccedil;&atilde;o, ou ao proferir um bom texto, &eacute; com certeza uma receita de sucesso.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">Estar preparado para enfrentar a concorr&ecirc;ncia acirrada da profiss&atilde;o, &eacute; uma das maiores barreiras de quem investe em uma carreira art&iacute;stica, mas n&atilde;o d&aacute; para focar muito nesta quest&atilde;o.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Trabalhando com dedica&ccedil;&atilde;o e persist&ecirc;ncia o sucesso e o reconhecimento v&atilde;o chegar. O importante &eacute; realizar um bom trabalho, que o &ecirc;xito &eacute; certo seja qual for a profiss&atilde;o escolhida.</span></p>
<p>&nbsp;</p> ]]></description>
</item>
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<title>Como dar o primeiro passo para se tornar um comediante</title>
<link>https://artigopt.com/arte-e-entertenimento/humor/como-dar-o-primeiro-passo-para-se-tornar-um-comediante_1.html</link>
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<pubDate>Fri, 08 Feb 2013 07:16:46 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">A carreira de ator tem in&uacute;meras possibilidades e nos d&aacute; a chance, de trilhar diversos caminhos dentro da maravilhosa arte de atuar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Umas dessas &aacute;reas &eacute; a com&eacute;dia. Arte conhecida e muito apreciada pelo povo brasileiro, ber&ccedil;o de talentos incompar&aacute;veis, o ator iniciante que quer seguir como comediante poder&aacute; tamb&eacute;m encontrar muitas dificuldades no inicio. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">Como todo bom ator, al&eacute;m da afinidade com o g&ecirc;nero, dever&aacute; ter como base uma excelente forma&ccedil;&atilde;o profissional, o que um bom </span><strong><span style="font-size: 14.0pt;line-height:150%;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;mso-bidi-font-family: Verdana;color:red"><a href="http://www.ciadeteatrocontemporaneo.com.br/index.php/cursos" target="_blank" title="curso profissionalizante de teatro Rio de Janeiro">curso profissionalizante de teatro Rio de Janeiro</a></span></strong><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">, por exemplo, poder&aacute; lhe dar o suporte essencial para a carreira.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">O comediante dever&aacute; encontrar o seu estilo, seja na cria&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o de personagens , seja no estilo stand up.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Em ambos o gosto pela leitura e escrita ser&aacute; essencial e crucial para uma carreira de sucesso. O comediante deve procurar algu&eacute;m como inspira&ccedil;&atilde;o, observando o que lhe chama aten&ccedil;&atilde;o ele poder&aacute; assim come&ccedil;ar a identificar seu pr&oacute;prio estilo, e ir se aperfei&ccedil;oando, e criando sua identidade dentro da com&eacute;dia.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">No </span><strong><span style="font-size:14.0pt;line-height:150%;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;; mso-bidi-font-family:Verdana;color:red">curso de teatro RJ</span></strong><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">, o aspirante a comediante poder&aacute; identificar melhor qual o caminho a seguir dentro com&eacute;dia, e poder&aacute; testar a sua veia c&ocirc;mica, e observando a rea&ccedil;&atilde;o das pessoas a sua volta.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Ali&aacute;s, esta &eacute; uma boa dica, representar personagens para seu c&iacute;rculo de amigos e familiares, contar fatos de forma engra&ccedil;ada, imitar personalidades, &eacute; uma boa forma de treinar, identificar e&nbsp; corrigir falhas, se os conhecidos come&ccedil;arem a pedir pra voc&ecirc; fazer&nbsp; novamente, esta indo pelo caminho certo. &Eacute; um bom indicador.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">Quando tiver certeza de qual estilo seguir, e j&aacute; tiver uma boa base de conhecimento, j&aacute; deu o primeiro passo agora &eacute; hora de correr atr&aacute;s das oportunidades, as dicas n&atilde;o diferem muito das dicas de qualquer artista em in&iacute;cio de carreira.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Divulgar seu trabalho, buscar testes, identificar contatos, e ter muita paci&ecirc;ncia. Ser criativo, espont&acirc;neo tamb&eacute;m ajuda muito na constru&ccedil;&atilde;o de um humorista.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Ter carisma e saber unir esta qualidade a uma boa interpreta&ccedil;&atilde;o, ou ao proferir um bom texto, &eacute; com certeza uma receita de sucesso.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;">Estar preparado para enfrentar a concorr&ecirc;ncia acirrada da profiss&atilde;o, &eacute; uma das maiores barreiras de quem investe em uma carreira art&iacute;stica, mas n&atilde;o d&aacute; para focar muito nesta quest&atilde;o.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"><span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Verdana, sans-serif;"> Trabalhando com dedica&ccedil;&atilde;o e persist&ecirc;ncia o sucesso e o reconhecimento v&atilde;o chegar. O importante &eacute; realizar um bom trabalho, que o &ecirc;xito &eacute; certo seja qual for a profiss&atilde;o escolhida.</span></p>
<p>&nbsp;</p> ]]></description>
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<item>
<title>Os tipos de piadas que mais fazem sucesso no Brasil</title>
<link>https://artigopt.com/arte-e-entertenimento/humor/os-tipos-de-piadas-que-mais-fazem-sucesso-no-brasil.html</link>
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<pubDate>Wed, 13 Jun 2012 14:47:15 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[ <p>As piadas curtas s&atilde;o um modelo de humor na qual s&atilde;o contadas r&aacute;pidas sequ&ecirc;ncias, imagina&ccedil;&otilde;es ou uma situa&ccedil;&atilde;o e o humor se encontra na &uacute;ltima frase. Normalmente n&atilde;o h&aacute; uma hist&oacute;ria neste formato de piada, pois ele tem que ser principalmente mais breves do que quaisquer g&ecirc;neros de piadas engra&ccedil;adas. A atra&ccedil;&atilde;o diversas vezes neste g&ecirc;nero &eacute; mais leve. Contudo ainda assim, h&aacute; diversidade de temas que s&atilde;o explorados nas piadas de modelos mais breves. <br /><br /> Este g&ecirc;nero &eacute; bem famoso em nosso pa&iacute;s e hoje em dia a internet tem se apresentada um modo de comunica&ccedil;&atilde;o bastante utilizado com a inten&ccedil;&atilde;o de encontrar tais piadas. Pois atrav&eacute;s da mesma s&atilde;o encontradas com grande simplicidade piadas em maior n&uacute;mero do que por meio de contatos n&atilde;o virtuais ou em revistas em rela&ccedil;&atilde;o ao assunto. <br /><br /> As <a href="http://www.clickgratis.com.br/piadas/curtas/index.html" target="blank">piadas curtas</a> t&ecirc;m diferentes classifica&ccedil;&otilde;es: as charadas est&atilde;o como um g&ecirc;nero bem conhecido, famosa igualmente em diferentes pa&iacute;ses como na Inglaterra, funciona como um jogo ligeiro de adivinha. Dessa forma &eacute; um estilo o qual satisfaz muito as crian&ccedil;as. As piadas de pontinhos s&atilde;o muito usadas pelos brasileiros. Nesse tipo de piadas &eacute; questionado o que significa diversos pontos coloridos nos locais, e a solu&ccedil;&atilde;o que tem o conte&uacute;do c&ocirc;mico. <br /><br /> Encontra-se tamb&eacute;m sem dificuldades diferentes imagens usadas nas piadas curtas como, por exemplo, piadas de loiras as quais geralmente transmitem o pensamento da loira a respeito de algo. Encontram-se muitos websites com piadas on-line que disp&otilde;e em fun&ccedil;&otilde;es a possibilidade de envi&aacute;-las para os emails (Yahoo, Hotmail, Gmail etc.) e para sites de relacionamentos, Twitter, Orkut, Facebook al&eacute;m de outros sites de relacionamentos.</p> ]]></description>
</item>
<item>
<title>Diversão garantida com anedotas online</title>
<link>https://artigopt.com/arte-e-entertenimento/humor/divers%25c3%25a3o-garantida-com-anedotas-online.html</link>
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<pubDate>Tue, 15 May 2012 16:33:25 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[ <p>Qual a melhor maneira de iniciar o seu dia? Gargalhando com anedotas no seu celular tem a possibilidade de ser a resposta para isso. Aben&ccedil;&ocirc;e os SMSs! Eles podem instantaneamente iluminar seu rosto! Voc&ecirc; est&aacute; vagueando em teus devaneios, alheio ao mundo ao seu redor, quando, subitamente, recebe o "bip" de seu telefone celular. Voc&ecirc; acabou de receber uma mensagem. E no momento em que voc&ecirc; ler... a gargalhada ser&aacute; inevit&aacute;vel. <br /><br /> Existe uma colossal gama de <a href="http://www.clickgratis.com.br/piadas/" target="blank">piadas online</a>. Voc&ecirc; tem a possibilidade de selecion&aacute;-las de acordo com o seu gosto e envi&aacute;-las para entes queridos ou algu&eacute;m que voc&ecirc; conhece que est&aacute; precisando se divertir. <br /><br /> Na internet h&aacute; uma imensid&atilde;o de anedotas dispon&iacute;veis. H&aacute; boas piadas curtas, anedotas sexuais, casamento, relacionamentos, animais, crian&ccedil;as, trabalho, de portugu&ecirc;s e qualquer coisa que voc&ecirc; possa imaginar. &Eacute; saud&aacute;vel proporcionar alguns risos e colorir o dia de algu&eacute;m. Uma boa piada tem a possibilidade de transformar expressivamente o humor de quem a l&ecirc;. Em um segundo, o indiv&iacute;duo se encontra absorto nas indaga&ccedil;&otilde;es. No momento posterior, a pessoa recebe piadas via SMS e como um rel&acirc;mpago, o seu rosto &eacute; atingido por um riso reluzente. <br /><br /> Uma coisa que se encontra faltando na vida corrida dos dias atuais &eacute; o humor. Voc&ecirc; vai encontrar poucos que conseguem mant&ecirc;-lo aceso. Devido &agrave; World wide web, &eacute; bem simples enviar piadas para os colegas. Voc&ecirc; pode achar uma grande diversidade de sites que disponibilizam quaisquer tipos de humor. Use grandes anedotas para cumprimentar teus entes queridos. <br /><br /> Assim, &eacute; a sua chance de disseminar o bom humor. Inicie j&aacute;. Selecione piadas na internet e passe a envi&aacute;-las a todas as pessoas que precisam sorrir. Sorrir faz bem para a alma e para a sa&uacute;de, al&eacute;m de ser considerado um dos mais eficazes rem&eacute;dios para a depress&atilde;o.</p> ]]></description>
</item>
<item>
<title>O telemóvel e a televisão</title>
<link>https://artigopt.com/arte-e-entertenimento/humor/o-telem%25c3%25b3vel-e-a-televis%25c3%25a3o.html</link>
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<pubDate>Sun, 01 Apr 2012 18:11:16 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; widows: 0; orphans: 0;" lang="pt-PT"><span style="color: #000000;"><span style="font-size: small;">&Agrave;s vezes quando estou na minha sala, descansado a ver televis&atilde;o, a prestar aten&ccedil;&atilde;o a um programa, acontece uma coisa que n&atilde;o gosto: tocar o telem&oacute;vel. Eu atrapalho-me nessa situa&ccedil;&atilde;o. Porque tenho de baixar o som da televis&atilde;o para atender o telem&oacute;vel sen&atilde;o n&atilde;o oi&ccedil;o. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; widows: 0; orphans: 0;" lang="pt-PT"><span style="color: #000000;"><span style="font-size: small;">Noutro dia aconteceu. Tocou o telem&oacute;vel. Ent&atilde;o peguei no comando, carreguei em todos os bot&otilde;es... e nada. Reparei que afinal n&atilde;o era aquele comando. E o telem&oacute;vel ainda a tocar...</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; widows: 0; orphans: 0;" lang="pt-PT"><span style="color: #000000;"><span style="font-size: small;">Ent&atilde;o l&aacute; encontrei o comando correcto e carreguei no bot&atilde;o para baixar o volume. Mas n&atilde;o dava. Porqu&ecirc;? Porque estava a carregar no bot&atilde;o errado. Comecei a carregar nos outros bot&otilde;es e nada. Porque ser&aacute; que, quando estamos stressados, carregamos em todos os bot&otilde;es menos no que queremos? Ent&atilde;o desisti. Levantei-me, desliguei a televis&atilde;o e atendi o telem&oacute;vel.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; widows: 0; orphans: 0;" lang="pt-PT"><span style="color: #000000;"><span style="font-size: small;">-"Estou?"</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; widows: 0; orphans: 0;" lang="pt-PT"><span style="color: #000000;"><span style="font-size: small;">Desligou.</span></span></p>
<p>&nbsp;</p> ]]></description>
</item>
<item>
<title>Piadas - Curiosidades e origem das histórias engraçadas</title>
<link>https://artigopt.com/arte-e-entertenimento/humor/piadas-curiosidades-e-origem-das-hist%25c3%25b3rias-engra%25c3%25a7adas.html</link>
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<pubDate>Thu, 22 Mar 2012 15:00:19 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[ <p>Nos dias de hoje, &eacute; muito normal que o povo conte piadas entre companheiros, nas reuni&otilde;es familiares e at&eacute; mesmo no ambiente de servi&ccedil;o e durante os recreios do col&eacute;gio, por&eacute;m, afinal, em que momento come&ccedil;ou a hist&oacute;ria de se narrar contos engra&ccedil;ados? <br /><br /> O costume de se falar contos engra&ccedil;ados originou-se da Gr&eacute;cia entre o tempo da Antiguidade. Ali foi descoberto o primeiro caderno de <a href="http://www.clickgratis.com.br/piadas/">piadas engra&ccedil;adas</a>, que ridicularizavam civiliza&ccedil;&otilde;es diferentes, semelhantes os eunucos, os escravos. Na Idade M&eacute;dia o h&aacute;bito de narrar piadas era considerado como pol&ecirc;mico, porque ao mesmo tempo que muitos crist&atilde;os protegiam o riso como S&atilde;o Tom&aacute;s de Aquino,ao mesmo per&iacute;odo, tinha religiosos que informavam que rir era um h&aacute;bito relacionado ao diabo. <br /><br /> Nesse tempo, a imagem do buf&atilde;o, ou bobo, entrou na moda, eles zombavam de qualquer pessoa, de monarcas &agrave;s categorias mais baixas. No percorrer do per&iacute;odo, os teatros de Commedia dell&rsquo;arte foram muito respons&aacute;veis pelo humor muito parecido com as piadas recentes, em que se retratavam tipos e se realizavam inven&ccedil;&otilde;es. Na Inglaterra, basicamente no s&eacute;culo XIX os enigmas foram ficando muito famosas e era como a rotina de familiares irem descansar em casas de campo, em que elas eram ditas. <br /><br /> No Brasil, o lance da piada teve poucas curiosidades, como o surgimento das piadas de portugal, que de forma ir&ocirc;nica veio de zombariasdos pr&oacute;prios portugueses, os quais trouxeram contos de seu pa&iacute;s, quando chegaram junto com a corte portuguesa no come&ccedil;o do s&eacute;culo dezenove e como suas contos zombando de lusitanos de dentro do pa&iacute;s n&atilde;o apresentavam humor para os brasileiros, eles come&ccedil;aram a zombar de si mesmos. <br /><br /> Hoje em dia, &eacute; bastante engra&ccedil;ado transmitir piadas aos conhecidos, pois, elas s&atilde;o maneiras gentis de se sustentar as amizades. Al&eacute;m disso, possuem variados meios de achar hist&oacute;rias engra&ccedil;adas, tanto em jornais, seja pela rede virtual, em que se consegue uma grande variedade de tipos e temas. As hist&oacute;rias engra&ccedil;adas s&atilde;o &oacute;timas receitas para o melhor humor e at&eacute; mesmo visando o bem-estar. <br /><br /> Ao mandar hist&oacute;rias engra&ccedil;adas aos conhecidos, a sugest&atilde;o essencial &eacute; envolver no formato de pessoa a qual vai receber ou escut&aacute;-la para que se possa conseguir tirar gargalhadas do "p&uacute;blico". Mais um t&oacute;pico essencial &eacute; sempre retocar na leitura (nos sotaques, vozes, entona&ccedil;&otilde;es, etc.), tornando deste tipo as f&aacute;bulas engra&ccedil;adas e divertida.</p> ]]></description>
</item>
<item>
<title>EuTambemGosto.com - Novo site de humor com tudo de melhor para si</title>
<link>https://artigopt.com/arte-e-entertenimento/humor/eutambemgosto.com-novo-site-de-humor-com-tudo-de-melhor-para-si.html</link>
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<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 06:53:36 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[ <p>Neste site humor&iacute;stico ser&aacute; poss&iacute;vel visualizar novidades e algumas exclusividades no que respeita a conte&uacute;dos de humor. Desde videos para rir, imagens engra&ccedil;adas, anedotas e noticias "diferentes", aqui vai certamente passar um bom bocado e vai ser quase de certeza mais uma pessoa a dizer: Eu Tamb&eacute;m Gosto!</p>
<p>Este projecto visa n&atilde;o ser apenas mais um. O intuito baseia-se na pesquisa di&aacute;ria de conte&uacute;dos diferentes, com a insers&atilde;o expor&aacute;dica de conte&uacute;dos pr&oacute;prios quer seja em videos como em imagem.</p>
<p>&Eacute; tamb&eacute;m permitida a insers&atilde;o de conte&uacute;do por parte dos visitantes. Apenas t&ecirc;m que enviar e depois ser&aacute; aprovado pelos respons&aacute;veis do site.</p>
<p>A equipa conta com algum pessoal disposto a colaborar na insers&atilde;o de conte&uacute;do, sempre com a mesma miss&atilde;o: fornecer conte&uacute;dos engra&ccedil;ados, que fa&ccedil;am rir e de prefer&ecirc;ncia, exclusivos!</p> ]]></description>
</item>
<item>
<title>Sobrancelhas postiças</title>
<link>https://artigopt.com/arte-e-entertenimento/humor/sobrancelhas-posticas.html</link>
<guid>https://artigopt.com/arte-e-entertenimento/humor/sobrancelhas-posticas.html</guid>
<pubDate>Sat, 20 Aug 2011 06:35:14 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[ <p style="text-align: justify;"><a href="http://www.trabalheonline.co.uk/conheca-um-pouco-sobre-londres/">Londres</a> &eacute; uma cidade <strong>cosmopolita</strong>, onde vivem diversas <strong>nacionalidades</strong>&nbsp; de diferentes <strong>culturas</strong>, com seus respectivos <a name="MIVA_LINK_1_0_1" href="http://www.trabalheonline.co.uk/sombrancelhas-posticas/" target="_blank" class="MIVA_AdLink">costumes</a>, religi&otilde;es e <strong>l&iacute;nguas</strong>, e por falar em l&iacute;ngua, a cidade e uma verdadeira <strong>torre</strong> de<strong> babel</strong>. Saber distinguir entre os <strong>imigrantes</strong>, principalmente os brasileiros, aos quais Migrantino tinha mais contato, quem falava ou n&atilde;o ingl&ecirc;s era uma tarefa dif&iacute;cil, pois existiam v&aacute;rias categorias que se dividiam entre: &ldquo;os que falavam mas n&atilde;o entendiam quando ouviam&rdquo;. &ldquo;Os que entendiam, por&eacute;m n&atilde;o falavam&rdquo;. &ldquo;Os que falavam e  entendiam, mas em compensa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o escreviam, s&oacute; liam&rdquo;. &ldquo;Os que falavam e  entendiam, por outro lado n&atilde;o liam , s&oacute; escreviam&rdquo;. &ldquo;Os que falavam e  entendiam apesar de n&atilde;o lerem nem escreverem&rdquo;. &ldquo;Os que n&atilde;o falavam, n&atilde;o  entendiam, n&atilde;o liam e muito menos escreviam&rdquo; (Migrantino n&atilde;o sabia como  esta &uacute;ltima categoria conseguia sobreviver na cidade). E finalmente  apesar de raro, vinha &ldquo;Os que falavam, entendiam, liam e escreviam. Mas  estes tinham o h&aacute;bito de conversarem pouco. Por incr&iacute;vel que pudesse  parecer, ele foi percebendo que os que mais falavam, eram os que menos  sabiam. Notara assim, que as pessoas, as vezes, por falta de humildade  de admitirem suas inabilidades, sem perceberem, acabavam usando suas  pr&oacute;prias bocas para expressarem suas ignor&acirc;ncias. (Notara que esse  comportamento parecia se estender por todas as &aacute;reas da vida<strong> humana</strong>).</p>
<p style="text-align: justify;">Certa vez em um ponto de &ocirc;nibus ele  sentou ao lado de duas jovens brasileiras e uma delas estava falando ao  celular e ele p&ocirc;de escutar o di&aacute;logo, se este pudesse ser chamado assim,  pois dos quase 10 minutos que se passaram s&oacute; se p&ocirc;de ouvir algumas  palavras como: 36 &ldquo;ok`s&rdquo;, 57 &ldquo;yes&rdquo;, 9 &ldquo;no`s&rdquo; 1 &ldquo;all right&rdquo;, 15 &ldquo;of  course`s&rdquo;. Assim que ela terminou a liga&ccedil;&atilde;o, sua amiga ao lado que por  sinal acabara de chegar do Brasil lhe disse: &ldquo; Menina!!, n&atilde;o sabia que  voc&ecirc; falava ingl&ecirc;s t&atilde;o bem assim&rdquo;!!!</p>
<p style="text-align: justify;">As pessoas se sentem a vontade nas ruas, j&aacute; que podem vestirem e se comportarem da maneira que quiserem. O que em certos pa&iacute;ses seria restringido ou at&eacute; proibido, em Londres era permitido. E isto lhes proporcionava uma certa sensa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;<strong>liberdade</strong>&rdquo;.  No caso dos imigrantes em geral, que na sua grande maioria vinham de  cidades do interior de seus pa&iacute;ses, onde eram controlados pelos pais,  parentes e principalmente vizinhos, quando al&iacute; chegavam pareciam terem  recebido no aeroporto uma permiss&atilde;o especial: &ldquo;podiam fazer o que bem  entendessem, pois afinal de contas agora seriam donos de seus pr&oacute;prios  narizes&rdquo; e n&atilde;o teriam a presen&ccedil;a de ningu&eacute;m que lhes pudesse censurar ou  lhes proibirem de alguma forma. Isso logicamente era v&aacute;lido para ambos  os <strong>sexos</strong> e todas as nacionalidades e ra&ccedil;as. Com esse  tipo de comportamento dos novos moradores que al&iacute; chegavam, a cidade  iria se tornando como um grande calder&atilde;o de sopa de legumes, sendo  alimentada com os mais diversos ingredientes, formando uma mistura  gingatesca, em cont&iacute;nuo fervor, onde a continuar esse <strong>frenesi</strong>, vai se tornando imposs&iacute;vel a qualquer um distinguir as cenouras das batatas.</p>
<p style="text-align: justify;">S&atilde;o tantos comportamentos diferentes,  modo de vestir, cortes e cores de cabelos, cada qual mais ex&oacute;tico que  outro, que&nbsp; as vezes ele se sentia que acabara de aterrissar em um outro  planeta. Via cada figura nas ruas que se tornava dif&iacute;cil acreditar que  se estivesse realmente no planeta terra. Era normal que a fisionomia das  pessoas de diferentes pa&iacute;ses e regi&otilde;es diferissem uma das outras, mas  se se juntasse a isso: h&aacute;bitos e costumes, modo de vestir e cortes de  cabelos que ele nunca imaginara ver, n&atilde;o seria muito dif&iacute;cil de se  convencer que finalmente os marcianos estariam se infiltrando no <strong>planeta</strong>.  Um dia Migrantino fora em uma festa, convidado pelos seus colegas de  trabalho. Nesta &eacute;poca nao falava quase nada em ingl&ecirc;s e se limitava a  observar os convidados.</p>
<p style="text-align: justify;">Estava presente mais ou menos umas cento  e cinquenta pessoas de nacionalidades diferentes e ele nunca vira em  toda sua vida uma festa t&atilde;o estranha. N&atilde;o s&oacute; pelas diferen&ccedil;as entre as  pessoas e diversas l&iacute;nguas sendo faladas, mas tambem pelas vestes  totalmente fora do padr&atilde;o, como rapazes e garotas usando cal&ccedil;as abaixo  das coxas. Ele vira no<strong> brasil</strong> alguns usarem abaixo um pouco da <strong>cintura</strong>,  mas estas estavam quase na altura dos joelhos. N&atilde;o sabiam como eles  conseguiam andar daquele jeito. Pareciam que acabaram de sair do  banheiro e preocupados em retornar a festa, se esqueceram de  levant&aacute;-las. Cortes dos mais estranhos que se possa imaginar e as  mulheres com <strong>cabelos</strong> de todas as cores do arco iris, e que brilhavam a exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; luz. Ele lembrara de ter visto um rapaz e ficara perplexo. Usava <strong>piercings</strong> ao longo dos dois l&aacute;bios de um lado ao outro. Outra carreira nas duas  sobrancelhas e quando dava uma gargalhada, podia notar mais uns quatro  em sua l&iacute;ngua j&aacute; esverdeada, tingida por um tipo de bebida que, vez por  outra bebericava. Parecia que acabara de sair de uma se&ccedil;&atilde;o de <strong>tortura</strong>, com metal por todo o corpo. O &uacute;nico local onde n&atilde;o tinha brinco nele era nas <strong>orelhas</strong> (pois seria &oacute;bvio demais).</p>
<p style="text-align: justify;">Bebidas <strong>ex&oacute;ticas</strong> eram  oferecida aos convidados, pareciam mais com po&ccedil;&otilde;es m&aacute;gicas com suas  fuma&ccedil;as a subir pelo teto, com as mais variadas cores e texturas, sendo  servida em recipientes estranhos. Em um dos c&ocirc;modos da casa presenciara  uma turma de uns cinco rapazes armando alguma coisa. Parecia bem  complicada, cheia de canos met&aacute;licos, com funis e garrafas espalhados ao  longo da estrutura. Mais tarde descobriria que aquele instrumento  serviria como <strong>recipiente</strong> para uma bebida que seria consumida coletivamente quando a festa atingisse seu ponto m&aacute;ximo.</p>
<p style="text-align: justify;">Havia tamb&eacute;m gar&ccedil;ons desfilando com suas <strong>bandejas</strong> cheias de bebidas ou algo parecido, e objetos para serem consumidos  e/ou usados. Mas Migrantino n&atilde;o sentia ainda seguro para aceitar, pois  ao olhar a bandeja, n&atilde;o conseguia distinguir bem a fun&ccedil;&atilde;o de cada um.  N&atilde;o sabia se era para beber, comer, cheirar, fumar, passar nos cabelos  ou simplesmente pendurar no pesco&ccedil;o, ou at&eacute; mesmo nenhuma das op&ccedil;&otilde;es  anteriores. Como nao queria fazer feio, optou por nao arriscar. Ele j&aacute;  estava ficando com s&ecirc;de e pensava em pedir algo para beber, mas hesitava  no que escolher.N&atilde;o queria passar por careta pedindo: <strong>uisque</strong>, <strong>vodca</strong> , <strong>vinho</strong> ou muito menos <strong>cerveja</strong> (&aacute;gua estava totalmente fora de cogita&ccedil;&atilde;o). Mas tamb&eacute;m n&atilde;o queria se arriscar naquelas <strong>bebidas</strong> que n&atilde;o conhecia.</p>
<p style="float: left;"><ins style="display: inline-table; border: medium none; height: 250px; margin: 0pt; padding: 0pt; position: relative; visibility: visible; width: 300px;"><ins id="aswift_1_anchor" style="display: block; border: medium none; height: 250px; margin: 0pt; padding: 0pt; position: relative; visibility: visible; width: 300px;"></ins></ins></p>
<p style="text-align: justify;">As pessoas que via nas ruas n&atilde;o diferiam  muito daquelas da festa. Quando pegava o metr&ocirc; sempre ficava  observando-as em suas excentricidades, at&eacute; que um dia viu algo que n&atilde;o  era muito comum. Parecia tudo normal at&eacute; aquele momento. S&oacute; se via o  banal como: homens se beijando; mulheres abra&ccedil;adas trocando car&iacute;cias;  jovens e ate adultos com as cal&ccedil;as abaixadas &agrave; altura dos joelhos, com  correntes e metais por todo o corpo; pessoas com seus ipods nos ouvidos,  dan&ccedil;ando e cantando sozinhas; ingleses sentados, lendo seus jornais (  de vez em quando balan&ccedil;avam suas cabe&ccedil;as diante de certas not&iacute;cias  escandalosas). A &uacute;nica cena que fugia ao padr&atilde;o era um casal  heterossexual que estava sentado em um canto do vag&atilde;o. Meio t&iacute;midos e  acuados, sob os olhares assustados dos demais. (afinal de contas, nem  tudo era perfeito). Enfim, tudo absolutamente normal. De repente entra  uma mulher e senta logo a frente de Migrantino e ele passa o olhar por  ela. Instintivamente volta seu rosto novamente ao dela, desta vez um  pouco surpreso. Nota alguma coisa errada nela, mas n&atilde;o sabia exatamente o  que era e muito menos onde.</p>
<p style="text-align: justify;">Parecia se localizar no seu rosto; em sua <strong>fisionomia</strong>.  Olhava-a discretamente pra tentar descobrir, mas n&atilde;o tinha a m&iacute;nima  id&eacute;ia do que poderia estar diferente. Tinha certeza que n&atilde;o se tratava  de&nbsp; um rosto normal. Havia alguma coisa sobrando ou faltando. Para se  certificar, ele comparava seu rosto com outros rostos vizinhos ao dela.  Como naquele jogo dos sete erros, onde n&atilde;o se consegue notar as  diferen&ccedil;as mais evidentes. Ele tentava, j&aacute; angustiado, pois seu tempo  estava acabando. Iria descer em mais duas ou tr&ecirc;s esta&ccedil;&otilde;es e precisava  desvendar aquele mist&eacute;rio.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando ainda estava concentrado no rosto  dela, passa um casal com um filho de mais ou menos 3 anos. Os tr&ecirc;s  trajando um corte de cabelo tipo <strong>soldado</strong> <strong>romano</strong> que ele achou super engra&ccedil;ado, mas naquela hora n&atilde;o poderia desviar sua  aten&ccedil;&atilde;o. Estava diante de uma cena totalmente desafiadora. Precisava  descobrir o que estava errado no rosto daquela mulher de cabelo vermelho  com mechas verde lim&atilde;o, e n&atilde;o dispunha de muito tempo. Resolveu apelar  para o m&eacute;todo da elimina&ccedil;&atilde;o, ou seja, descartar o que estava certo at&eacute;  chegar onde estava o erro. Come&ccedil;ou pelo queixo: conferia. Boca e l&aacute;bios:  conferiam. Nariz: conferia. Olhos: conferiam. S&iacute;lios: apesar de  posti&ccedil;os que mais pareciam um par de toldos, mas conferiam.</p>
<p style="text-align: justify;">Estava acabando seu tempo e o rosto  dela. N&atilde;o tinha notado nada de errado ainda, at&eacute; que analisando o que  sobrava, ou seja, as sobrancelhas e a testa, resolveu concentrar ai sua  aten&ccedil;&atilde;o. Notou uma pequena despropor&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o entre a testa e as <strong>sobrancelhas</strong> e finalmente p&ocirc;de ver onde estava o erro: Ela tinha raspado a  sobrancelha natural e pintado uma artificial. Dava pra notar que era um  risco de um l&aacute;pis feito a m&atilde;o. N&atilde;o sabia se de prop&oacute;sito ou n&atilde;o, ela foi  pintada um pouco mais acima lhe dando uma apar&ecirc;ncia estranha. &ldquo;Talvez  ela acabara de sair do sal&atilde;o de beleza e na correria, o cabeleileiro  pintou as sobrancelas fora dos lugares e nem ela notou o erro&rdquo;,  coitada!!! pensava ele, &ldquo;poderia estar indo a um casamento e n&atilde;o haveria  tempo nem de olhar em um espelho, sabia que os <strong>ingleses</strong> viviam correndo, talvez pior, poderia ser a <strong>noiva</strong>,  se fosse, poderia at&eacute; ser recusada pelo futuro marido como sendo uma  impostora, ja pensou! Que trag&eacute;dia!. Ou talvez seria uma nova moda que  estava apenas iniciando e que Tino ainda iria ver muitas sobrancelhas  raspadas e pintadas em lugares nunca antes imaginado&rdquo;.</p>
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<title>O cachorro infeliz</title>
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<pubDate>Sat, 20 Aug 2011 06:33:39 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[ <p style="text-align: justify;">Passados quatro meses de sua chegada em <a href="http://www.trabalheonline.co.uk/conheca-um-pouco-sobre-londres/">Londres</a>, Migrantino acabara de se mudar para uma <a name="MIVA_LINK_1_0_3" href="http://www.trabalheonline.co.uk/o-cachorro-infeliz-3/" target="_blank" class="MIVA_AdLink">nova</a> casa, ou melhor para sua terceira nova casa. Mais tarde acabaria por  tirar o adjetivo &ldquo;nova&rdquo;, pois se tornaria uma redund&acirc;ncia. Como mudar se  tornaria uma rotina, logo, toda casa seria &ldquo;nova&rdquo;. Uma das caracter&iacute;sticas dos imigrantes em Londres, pelo menos os brasileiros, eram mudan&ccedil;as frequentes de <strong>resid&ecirc;ncia</strong> e<strong> emprego</strong>.  Ele lembra uma certa noite, quando estava em seu quarto dormindo. Era  mais ou menos 3 horas da madrugada, quando repentinamente algu&eacute;m abre a  porta de seu quarto e entra. Ainda no escuro, pois a luz estava  queimada, ele ouve uma voz masculina j&aacute; perto dele: &ldquo;<em>uffa!! meu bem, at&eacute; que enfim chegamos</em>!!&rdquo;. Assustado, Migrantino d&aacute; um grito no escuro: &ldquo;<em>tem gente</em>!&rdquo;.  O casal surpreso, responde: &ldquo;desculpe, acho que entramos no quarto  errado&rdquo;. Ainda bem que ele acordou, caso contr&aacute;rio, n&atilde;o era bom nem  imaginar o que poderia ter acontecido. Mas o que mais lhe intrigou foi o  fato de algu&eacute;m se mudar &agrave;s 3 horas da madrugada. (s&oacute; em&nbsp;Londres mesmo!!). Ningu&eacute;m sabia como explicar este h&aacute;bito. Mas na verdade, era  melhor se acostumar do que tentar achar respostas, e ele,  particularmente j&aacute; tinha perguntas demais em sua cabe&ccedil;a.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta sua nova resid&ecirc;ncia era  relativamente longe do centro da cidade. Localizada na zona quatro, o  que era inconceb&iacute;vel a qualquer brasileiro, j&aacute; que a grande maioria  deles tinha deixado o pa&iacute;s para &ldquo;fazer dinheiro&rdquo;,  como costumavam dizer (apesar de&nbsp; n&atilde;o terem a m&iacute;nima id&eacute;ia do que fazer  dele depois). Morar o mais perto poss&iacute;vel do trabalho, que se  localizava quase sempre na regi&atilde;o central, era de extrema import&acirc;ncia.</p>
<p style="text-align: justify;">A maratona n&atilde;o era muito f&aacute;cil, afinal  de contas, tinha de percorrer 16 esta&ccedil;&otilde;es de metr&ocirc;, sendo quatro  underground (subterr&acirc;nea) e 12 overground (superficial), e mais um  &ocirc;nibus at&eacute; conseguir chegar perto de sua casa. Caminhando mais uns dez  minutos, se o tempo estivesse bom, ele finalmente chegaria ao seu  destino. Cumprida a miss&atilde;o, poderia relaxar um pouco, desde que nao  pensasse que teria de repetir tudo no dia seguinte, ou seja, dal&iacute; a  poucas horas. Um dos argumentos que &agrave;s vezes ouvia sempre&nbsp;para  encoraj&aacute;-lo que n&atilde;o era t&atilde;o ruim assim morar longe,&nbsp; pois poderia  aproveitar a viagem para ler livros, ou fazer alguma atividade durante o  trajeto. Mas ele particularmente n&atilde;o tinha d&uacute;vidas disso e ia at&eacute; mais  al&eacute;m. Poderia n&atilde;o s&oacute; l&ecirc;-los, como tamb&eacute;m escreve-los; fazer <strong>cursos</strong>, ou quem sabe, uma<strong> faculdade</strong> por correspond&ecirc;ncia, ou at&eacute; mesmo, uma&nbsp; descoberta revolucion&aacute;ria que pudesse mudar o futuro da humanidade. Provar a teoria da <strong>relatividade</strong> de <strong>Einstein</strong>. Afinal de contas tempo para isso n&atilde;o lhe ia faltar.</p>
<p style="text-align: justify;">Como se tratava de um casal de antigos  amigos que conhecera em sua primeira estadia na capital inglesa, optou  por um ambiente mais tranquilo , onde, se conseguisse chegar, teria um  clima mais familiar. Era um casal alegre, ambos na faixa dos 30 anos e  sem filhos, tinham apenas um gato como animal de estima&ccedil;&atilde;o. Vez por  outra reclamavam do paradeiro da casa. Precisavam de mais a&ccedil;&atilde;o. Algo que  pudesse animar, agitar aquele <strong>ambiente</strong>. Suas vidas  estavam assustadoramente muito tranquilas. Como Migrantino aprendera a  observar o comportamento das pessoas, pensava com seus bot&otilde;es: &ldquo;<em>Estranho,  uma das raz&otilde;es de todas as mudan&ccedil;as era justamente o barulho, festas,  agita&ccedil;&otilde;es que faziam com que trocassem de casa, e aquele casal reclamava  por estar tudo tranquilo</em>&rdquo;. N&atilde;o queria nem cogitar sobre isso que j&aacute; lhe dava arrepios, mas ser&aacute; que chegaria a esta conclus&atilde;o tamb&eacute;m? Sentiria saudades das moradias anteriores?</p>
<p style="text-align: justify;">Eles queriam algo que trouxesse mais movimento aquela casa, quem sabe at&eacute;<strong> problemas</strong>, no fundo ele sabia que o ser<strong> humano</strong> &nbsp;n&atilde;o conseguia viver sem problemas. E se depedensse daquele gato, as  coisas n&atilde;o iam mudar, pois quase n&atilde;o se notava sua presen&ccedil;a na casa, a  nao ser para comer e beber, e de vez em quando lhe passar alguns sustos  pela madrugada. Parecia mais um fantasma. N&atilde;o demorou muito a decidirem a  adquirir um problema, ou melhor, um cachorro. Depois de muito ponderar  (dez minutos), resolveram que teriam um, a quest&atilde;o agora era saber a  ra&ccedil;a. Como n&atilde;o tinham experi&ecirc;ncia com esta esp&eacute;cime, recorreram ent&atilde;o&nbsp;a  internet.</p>
<p style="text-align: justify;">Passadas horas procurando, ela teve uma  id&eacute;ia: j&aacute; sei, bradou, como n&atilde;o tinha pensado nisso antes? Nao lembra?  Daquele filme?. (quando se relacionava cachorro com filme , sempre lhe  vinha &agrave; mem&oacute;ria o filme &ldquo;Beethoven&rdquo;, apesar que no fundo, como ele era  de outra gera&ccedil;&atilde;o, pensou logo no &ldquo;Rim tim tim&rdquo;). Conclus&atilde;o: seria um S&atilde;o  Bernardo sem sombra de d&uacute;vidas. N&atilde;o havia visto nenhum no Brasil, s&oacute; os  conhecia pela televis&atilde;o. Geralmente com skiadores nos gelados alpes  sui&ccedil;os que eram bem grandes, e portavam aqueles barris de uisque  pendurados&nbsp;em seus&nbsp;pesco&ccedil;os e sabia que na fase adulta alguns chegavam a  pesar mais de 90 kilos. Achava aquela escolha um pouca exagerada para  quem ia ter sua primeira experi&ecirc;ncia com caninos.</p>
<p style="text-align: justify;">N&atilde;o poderiam imaginar como era ao vivo.  Na inglaterra quase ningu&eacute;m tem c&atilde;es desta ra&ccedil;a!, argumentava ela, mas  Migrantino , enquanto ela ainda falava, pensava sem se manifestar, &ldquo;<em>Se na <strong>inglaterra</strong> quase nao se v&ecirc; S&atilde;o Bernardos, alguma raz&atilde;o deve existir</em>&rdquo;.  Como um bom mineiro, evitava dar opini&otilde;es, principalmente em situa&ccedil;&otilde;es  delicadas como aquela. N&atilde;o queria ser uma esp&eacute;cie de c&uacute;mplice, caso  surgisse algum arrependimento ou poss&iacute;veis transtornos. Mas no fundo ele  achava estranho a id&eacute;ia. Se ningu&eacute;m tem um cachorro deste na  inglaterra, deve haver algum inconveniente, ou ela teria descoberto a  causa da frieza e infelicidade dos brit&acirc;nicos: &ldquo;nao tinham um S&atilde;o  Bernardo em suas casas&rdquo;&not; mas, &eacute; claro, preferia ficar com a primeira  op&ccedil;&atilde;o.&nbsp;Estavam num continente com uma civiliza&ccedil;&atilde;o que vem de  desenvolvendo h&aacute; milhares de anos, deveriam saber muito bem, por  experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria, que n&atilde;o deveriam ter S&atilde;o Bernardos em casas com  espa&ccedil;os reduzidos como em Londres. E ele j&aacute; havia notado em suas andan&ccedil;as que os ingleses levavam <strong>cachorros</strong> a s&eacute;rio, com status de cidad&atilde;o. Portanto sem ter uma no&ccedil;&atilde;o exata do que  estavam fazendo, adentravam em um terreno delicado, apesar de ser um  costume muito comum no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Para comecar a se adaptar a nova fase  que viria, assitiram algumas vezes o filme &ldquo;beethoven&rdquo; para se  familializarem mais com seu futuro cachorro e tirar algumas d&uacute;vidas que  n&atilde;o tinham. Ficaram fascinados e certos de que n&atilde;o poderiam ter feito  melhor escolha. Se esquecendo que se tratava simplesmente de um filme.  N&atilde;o demorou muito tempo e l&aacute; se foram buscar o filhote num<strong> canil</strong> no sul da Inglaterra.</p>
<p style="text-align: justify;">Como ainda tinha pouco mais de dois  meses de vida, parecia feito de pel&uacute;cia, mas seu tamanho e forma j&aacute;  davam pequenos ind&iacute;cios de sua futura estatura. Eles no entanto,  ignorando seu crescimento, estavam euf&oacute;ricos com o novo membro da  fam&iacute;lia. N&atilde;o entendiam como teriam sobrevivido sem um cachorro daquele.  Mas Migrantino, n&atilde;o querendo ser pessimista soltava suas opini&otilde;es  silenciosas: &ldquo;<em>O problema &eacute; que ele vai crescer</em>&rdquo; e como! Com  dois meses estava com algumas centenas de grama, segundo o veterin&aacute;rio ,  em um ano e pouco estaria com quase 90 kilos, teria o peso de um ser  humano relativamente obeso. Portanto ele s&oacute; n&atilde;o ia crescer, como ja  estava crescendo. O processo j&aacute; estava em andamento. Se eles quisessem  curtir sua fase de crescimento teriam de ficar literalmente&nbsp;ao lado  dele, nao s&oacute; vendo, mas assistindo seu crescimento. N&atilde;o teriam tempo a  perder, era vis&iacute;vel a olho nu. Parecia que a cada dia ganhava um kilo. O  gato j&aacute; come&ccedil;ara a perder espa&ccedil;o. Tony, como era seu nome, j&aacute;  transitava pela casa marcando territ&oacute;rio, n&atilde;o deixando nenhuma d&uacute;vida de  quem era o novo dono da casa, inclusive nos dominios do gato. Usando  sua portinha para entrar e sair quando quisesse, e sempre beliscando  suas comidas, n&atilde;o porque gostava de comidas de gatos, mas para dar  provas de seu poder.</p>
<p style="text-align: justify;">Como crescia a cada minuto, era &oacute;bvio  que as vezes ficava emperrado na pequena porta destinada anteriormente  ao acesso do gato. Apesar de n&atilde;o oferecer nenhuma amea&ccedil;a fatal para o  bichano, pois S&atilde;o Bernardos n&atilde;o s&atilde;o c&atilde;es agressivos, mas o pantera como  era chamado o <strong>gato</strong>, sabia muito bem das rivalidades  entre as esp&eacute;cies e n&atilde;o queria se arriscar. Talvez nem tanto por causa  de alguma poss&iacute;vel agress&atilde;o , mas pra evitar suas lambidas, que com  certeza ele trocaria por uma bela mordida, desde que fosse bem s&ecirc;ca.  Sempre quando era p&ecirc;go numa emboscada ficava horas&nbsp; se secando de suas  lambidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao passar alguns meses, tony nao poderia  mais ficar em casa, por motivos &oacute;bvios. Como j&aacute; estava acostumado a  transitar e dormir dentro de casa, era normal e at&eacute; esperada sua  resist&ecirc;ncia em ir para o quintal. E a&iacute; era o ponto inicial dos problemas  que viriam. Seria nescess&aacute;rio uma casinha, se e que aquele seria o  termo adequado. N&atilde;o demorou muito e Migrantino foi designado para montar  a tal casinha pra cachorros, que seria comprada numa loja virtual.  Chegada a casinha, &nbsp;come&ccedil;ara logo seu trabalho de montagem. Em sua  experi&ecirc;ncia com montagens, sabia muito bem que n&atilde;o poderia cair na  tenta&ccedil;&atilde;o de ler o manual, pois se o fizesse, jamais consegueria  mont&aacute;-la. Preferindo usar sua intui&ccedil;&atilde;o para fazer o servi&ccedil;o. Era s&oacute;  imaginar uma casinha e ir separandos as pe&ccedil;as. Apesar destas n&atilde;o se  parecerem nem um pouco que pertenciam a mesma.</p>
<p style="text-align: justify;">Como estava desempregado, passava muito  tempo com tony e as vezes ficava olhando-o, admirando como poderia ser  t&atilde;o grande e pesado. Uma vez lhe dera uma pisada. A marca da sua pata  ficou em seu p&eacute; algum tempo, poderia relhembrar a dor que sentira.  Tivera a sensa&ccedil;&atilde;o de ter sido pisado por um bezerro, e com o frio a dor  era multiplicada por mil, e o pior e que n&atilde;o p&ocirc;de fazer nada, pois a  dona estava bem pr&oacute;xima. Come&ccedil;ava a compar&aacute;-lo com os cachorros  brasileiros. Como era diferente daqueles que havia tido ou conhecido no  Brasil. Alguma coisa falava dentro dele: &ldquo;<em>&Eacute; um cachorro de <strong>primeiro mundo</strong></em>&rdquo;. Quando chegara em Londres,  trouxera consigo um complexo de inferioridade, por vir de um pa&iacute;s  considerado de terceiro mundo e ainda com o agravante de estar ilegal.</p>
<p style="text-align: justify;">Considerava todas as pessoas &ldquo;legais&rdquo;,  superiores a ele, pricipalmente se fossem inglesas.&nbsp;O medo de ser  apanhado, frequentemente lhe rondava a mente . Enquanto refletia, o  cachorro n&atilde;o se intimidava e retribuia o olhar, com os olhos fixos nos  dele. Pensamentos vinha-lhe a mente: &ldquo;<em>estranho, este cachorro tem uma express&atilde;o &nbsp;quase humana&rdquo;</em>,  era t&atilde;o not&oacute;rio, que tinha a impress&atilde;o que ele lia seus pensamentos ou  que queria dizer-lhe alguma coisa. E pela sua seriedade n&atilde;o era nada  banal. Nenhuma fofoca, era algo s&eacute;rio. Talvez um grande segr&ecirc;do. Bom,  ele preferia parar de pensar nisso e n&atilde;o olhar muito pro cachorro, e  principalmente n&atilde;o subestim&aacute;-lo. Ainal de contas ele n&atilde;o era qualquer  cachorro. Tinha at&eacute; um passaporte ingl&ecirc;s. E se ele resolvesse mesmo  falar, logicamente seria em sua lingua m&atilde;e. Poderia at&eacute; questionar sua  legalidade no pa&iacute;s,&nbsp;o que o deixaria mais desconcertado e complexado  ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de montar, desmontar, colocar  pe&ccedil;as invertidas e tir&aacute;-las novamente, finalmente ele d&aacute; as &uacute;ltimas  marteladas sob o olhar de tony. Achava estranho, pois o cachorro olhava  pra ele e depois pra casinha e novamente pra ele. Como estava quase  chegando a conclus&atilde;o que aquele animal pensava, estaria provavelmente se  perguntando: &ldquo;<em>Para quem ser&aacute; esta casinha</em>?&rdquo;. Pra falar a  verdade ele n&atilde;o estaria de todo errado, dado que a casinha era  praticamente do tamanho dele, apesar de ser o tamanho maior que existia  na loja e no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Com muito esfor&ccedil;o, arrastou-a pra um  canto do quintal um pouco afastado da casa, onde achou um lugar mais  adequado. Bom pensava, &ldquo;<em>fiz minha obriga&ccedil;&atilde;o. A casinha est&aacute; montada. N&atilde;o sou eu quem vai dar a not&iacute;cia pra ele</em>&rdquo;, e arriscou olhar para <strong>tony</strong>,  querendo de certa maneria sua opini&atilde;o. Ele continuava im&oacute;vel sentado no  mesmo lugar dentro de casa. S&oacute; com a cabe&ccedil;a pra fora da porta, pois  achava um absurdo ir ao quintal, s&oacute; o fazendo quando de extrema  nescessidade. Arriscou cham&aacute;-lo at&eacute; sua nova casa pra ver sua rea&ccedil;&atilde;o, o  que ele atendeu, mas o f&ecirc;z mais por educa&ccedil;&atilde;o do que interesse, afinal de  contas era um cachorro ingl&ecirc;s.</p>
<p style="text-align: justify;">Resolveu deix&aacute;-lo a s&oacute;s com sua nova  resid&ecirc;ncia, talvez ele estaria um pouco t&Iacute;mido ainda, e foi at&eacute; o  banheiro lavar as m&atilde;os e dar um tempo pra ver a rea&ccedil;&atilde;o de tony. Ao  voltar, so p&ocirc;de assistir as &uacute;ltimas mordidas dadas na suas partes de  madeira, que mais pareciam feitas de isopor, que ele j&aacute; tinha quebrado  com suas patas. A &uacute;nica pe&ccedil;a que conseguiu resgatar intacta, foi a  cortina de pl&aacute;stico que serviria para a porta de entrada, conseguindo  pux&aacute;-la de sua boca. Com isto ele deixou bem claro que n&atilde;o era cachorro  de &ldquo;casinhas&rdquo;.</p>
<p style="float: left;"><ins style="display: inline-table; border: medium none; height: 250px; margin: 0pt; padding: 0pt; position: relative; visibility: visible; width: 300px;"><ins id="aswift_1_anchor" style="display: block; border: medium none; height: 250px; margin: 0pt; padding: 0pt; position: relative; visibility: visible; width: 300px;"></ins></ins></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de muitas tentativas sem sucesso  em convec&ecirc;-lo que n&atilde;o poderia dividir o mesmo espa&ccedil;o que os moradores da  casa, resolveram for&ccedil;&aacute;-lo a ficar de fora. Esperando que com o tempo  ele se acostumasse, como acontecia sempre com os cachorros brasileiros.  Mas ele n&atilde;o era brasileiro e isto descobririam mais tarde, iria fazer  uma enorme diferen&ccedil;a. Ficava latindo e dando patatas no vidro da porta,  querendo de toda maneira entrar para dentro da casa, e eles resistindo  as suas investidas, fingindo n&atilde;o notarem seus ap&ecirc;los. Mas ele n&atilde;o se  conformava que teria de ficar no quintal. Parecia que conhecia seus  direitos. Nao demorou muito, e numa manh&atilde;, quando estavam reunidos  tomando o caf&eacute;, a campanhia toca, e o marido vai atender a porta. N&atilde;o  deixou de ficar surpr&ecirc;so com a visita inesperada e muito rara. Pois se  tratava do vizinho do lado, que eles mal conheciam e muito menos se  falavam, no m&aacute;ximo uns cumprimentos formais quando se viam, discre&ccedil;&atilde;o  era uma das principais caracter&iacute;sticas dos ingleses. detestam esc&acirc;ndalos  de qualquer esp&eacute;cie. Para se ter uma vaga id&eacute;ia, por exemplo: se  estiverem sentados no metr&ocirc; e por acaso entrar um elefante e sentasse ao  seus lados, no m&aacute;ximo eles virariam a cabe&ccedil;a discretamente para dar uma  olhadinha. Provavelmente voltariam a cabe&ccedil;a e&nbsp;continuariam a lerem seus  jornais e&nbsp;se comportariam&nbsp;como se tudo estivesse normal. Poderiam no  m&aacute;ximo chegarem a conclus&atilde;o: &ldquo;<em>interessante, tem um <strong>elefante</strong> sentado ao meu lado</em>&rdquo;.</p>
<p style="text-align: justify;">Este vizinho era tipicamente destes, e  n&atilde;o faria muito sentido aquela visita. N&atilde;o fosse &eacute; claro, que se  tratasse do cachorro. Assunto que ele logo evidenciou. Estava preocupado  com o tony. O marido curioso, lhe indagou qual seria o motivo de sua  preocupa&ccedil;&atilde;o e ele logo declarou: &ldquo;seu cachorro esta latindo&rdquo;. Ao ouvirem  esta afirmativa aparentemente &oacute;bvia, ficaram todos ao redor dele sem  saber o que responderem. Apenas olhando um para o outro, confusos. Nunca  tinham ouvido esta advert&ecirc;ncia antes. Depois de trocarem olhares por um  tempo, o marido arriscou a responder: &ldquo;mas cachorros costumam latir&rdquo;, &eacute;  normal!, pelo menos achamos isso!, Migrantino, sempre sem se  manisfestar, pensa consigo: &ldquo; <em>ele tem raz&atilde;o, se o cachorro estivesse  cacarejando, relinchando, coachando, seria realmente estranho. Mas  afinal de contas, ele estava latindo e era um cachorro, parecia  perfeitamente normal</em>!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o vizinho logo retrucou: &ldquo;est&atilde;o  enganados&rdquo;, e com a experi&ecirc;ncia de quem ja tivera v&aacute;rios cachorros,  disparou logo seu diagn&oacute;stico: &ldquo;seu cahorro est&aacute; infeliz&rdquo;. Mal tinham  assimilado a primeira afirma&ccedil;&atilde;o e logo veio esta como uma bomba: n&atilde;o  sabiam mais como responder a esta &uacute;ltima. Era demais, &ldquo;cachorro  infeliz&rdquo;, mas o que significava aquilo? Nem sabiam que cachorros tinham  manifesta&ccedil;&otilde;es emocionais. Um sentimento de culpa e remorso come&ccedil;ava aos  poucos a lhes rodear, foram tomando consci&ecirc;ncia de que cachorros naquele  pa&iacute;s eram bem diferentes dos brasileiros. Talvez seria normal eles  latirem no Brasil, mas na inglaterra n&atilde;o. Caso contr&aacute;rio seria uma  manifesta&ccedil;&atilde;o de infelicidade pelo que ouvira de seu experiente&nbsp;vizinho.</p>
<p style="text-align: justify;">Realmente Migrantino nunca ouvira  latidos durante o tempo de sua estadia em Londres. Podia parecer  estranho mas os cachorros ingleses realmente nao latiam. Quando o faziam  era puramente por obrig&ccedil;&atilde;o. Para n&atilde;o&nbsp; se esquecerem de suas origens.  Mas ele achava isso um exagero, afinal era do instinto canino o ato de  latir, quase uma necessidade. Talvez eles nao estivessem sendo testado  adequadamente. Realmente j&aacute; tivera presenciado v&aacute;rias cenas com  cachorros sentados est&aacute;ticos nas cal&ccedil;adas. Esperando pacientemente seus  donos fazerem suas compras, assistindo carros, motos e at&eacute; carteiros.  Outros cachorros passando a um dedo deles,&nbsp;gatos desfilando e os  encarando, e eles parad&otilde;es como est&aacute;tuas, sem esbo&ccedil;arem nenhum tipo de  rea&ccedil;&atilde;o. Mas pensava: &ldquo;<em>Com certeza eles n&atilde;o resistiriam a uma <strong>carro&ccedil;a</strong></em>&rdquo;.  A vis&atilde;o de um homem de chap&eacute;u&nbsp;montado em uma esp&eacute;cie de caixa e dando  chicotadas em um animal que corria logo a sua frente quebraria seus  sil&ecirc;ncios at&eacute; ent&atilde;o preservados por v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es, seria demais para  eles. Sabia que os cachorros brasileiros quase enloqueciam diante de tal  cena. Chegando a ficarem roucos de tanto latirem. (Mas o que &nbsp;at&eacute; hoje  ele n&atilde;o conseguira descobrir, era se os cachorros latiam defendendo&nbsp;os  cavalos ou incentivando os carroceiros). Mas como al&iacute; n&atilde;o tinha  carro&ccedil;as, por sorte deles, restrigiam suas latidas ao essencial.</p>
<p style="text-align: justify;">O marido, preocupado com o diagn&oacute;stico  que acabara de ouvir, levou o vizinho pra ver tony, e de certa maneira  mostrar-lhe que aparentemente n&atilde;o havia nada de errado com ele, a n&atilde;o  ser as latidas que dava em contesta&ccedil;&atilde;o a sua nova situa&ccedil;&atilde;o.&nbsp;Enquanto  conversavam, tony os olhava, sentado entre os dois, olhando pra cima e  &nbsp;girando sua cabeca ora pra um e ora pra outro,&nbsp;como se estivesse  entendendo a conversa. Parecia esperar sua vez de se pronunciar, pois  sabia que era a seu respeito. No fundo ele conhecia seus direitos e  faria qualquer coisa pra faz&ecirc;-los valer. Naquela altura j&aacute; pecebera que  ca&iacute;ra numa familia de inexperientes imigrantes e que o vizinho era seu  conterr&acirc;neo e defensor. Qualquer insatisfa&ccedil;&atilde;o era s&oacute; dar duas ou tr&ecirc;s  latidas por cima do muro e seu novo her&oacute;i estaria na porta pra  defend&ecirc;-lo das garras de imigrantes inexcrupulosos. Sem sombras de  d&uacute;vidas havia ganhado a peleja. Cachorros infelizes era considerado  ofensa grave aos animais pela lei brit&acirc;nica, sujeita a perda do animal e  ainda a uma pesada multa e em certos casos at&eacute; pris&atilde;o.</p>
<p style="text-align: justify;">A situa&ccedil;&atilde;o j&aacute; estava caminhando para o  total descontrole. N&atilde;o&nbsp;havia escolha, n&atilde;o poderiam deix&aacute;-lo mais no  quintal. Teriam de pensar numa saida,&nbsp;quem sabe&nbsp;&nbsp;at&eacute; ceder. Mas n&atilde;o  sabiam exatamente o que fazer. Tony estava completamente fora de  controle. N&atilde;o tivera nehuma esp&eacute;cie de adestramento, portando n&atilde;o  respeitava nada, nenhum comando, por mais b&aacute;sico que fosse. Os poucos  comandos que ouvia eram dados em dois&nbsp;idiomas alternados, o que o  deixara mais&nbsp;confuso ainda. Agora quem comandava era ele, e o pior,  sabia disso. Haviam se transformado uma esp&eacute;cie de ref&eacute;n do cachorro.  N&atilde;o adiantaria pensar naquela hora, resolveram deix&aacute;-lo na cozinha  naquela noite at&eacute; decidirem o que fariam.</p>
<p style="text-align: justify;">Como em quase todas as noites,  pensamentos passavam pela sua mente de Migrantino, e o ocorrido naquele  dia,&nbsp; lhe marcara profundamente. Nunca tivera ainda presenciado uma cena  t&atilde;o inusitada quanto aquela e nem imaginava que cachorros pudessem ser  infelizes. Ser&aacute; que os ingleses estariam certos? Latir seria um sinal de  infelicidade? Se isso fosse verdade, como eram infelizes os cachorros  brasileiros. Pensava em todos os cachorros de sua vizinhan&ccedil;a quando  ainda morava no Brasil. Especialmente aquele de seu vizinho da direita.  Coitado!!, latia por horas a fio, durante toda a madrugada, talvez lhe  tivesse comunicando sua infelicidade, e ele como seu vizinho mais  pr&oacute;ximo, tinha a obriga&ccedil;&atilde;o de fazer alguma coisa, como sofria. E ele  simplesmente o ouvia e se virava pro lado e continuava a dormir, certo  de que se tratava apenas de um cachorro latindo, ignorando a dor  emocional do pobre animal.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas ele n&atilde;o queria ter nenhum sentimento  de culpa. Afinal n&atilde;o podia fazer nada, imagina, se sensibilizado com a  situa&ccedil;&atilde;o do cachorro, levantasse aquela hora da madrugada e fosse at&eacute;  seu vizinho, que tinha um apelido nada sugestivo. Na rua lhe referiam  como &ldquo;Joao ignorante&rdquo;. Era um homem bem rude e muito bruto, que tinha  matado a pr&oacute;pria mulher &agrave; facadas.&nbsp;Ele estava em liberdade condicional  depois de ter cumprido vinte anos da pena, ja imaginou? se ele,  sensibilizado com a situa&ccedil;&atilde;o do animal, batesse em sua porta as tr&ecirc;s e  meia da madrugada e simplesmente lhe fizesse esta afirmacao?: &ldquo;seu  cachorro est&aacute; latindo, e por sinal ele deve estar muito&nbsp;infeliz!&rdquo;. N&atilde;o  poderia nem imaginar a rea&ccedil;&atilde;o daquele toglodita. Seria uma trag&eacute;dia sem  precedentes. Com certeza ele voltaria com g&ocirc;sto pra pris&atilde;o. N&atilde;o s&oacute; ele  n&atilde;o resolveria o problema do cachorro, como tamb&eacute;m, caso sobrevivesse,  provavelmente seria mais um infeliz.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Bom &eacute; melhor eu tentar esquecer  isso, afinal de contas o cachorro nao &nbsp;me pertence e eu j&aacute; tenho  problemas demais, e este n&atilde;o &eacute; meu, tentando se esquivar</em>. Mas uma  sugest&atilde;o, ou um pensamento, ou uma voz, apesar de inaud&iacute;vel,&nbsp; lhe vinha a  mente (ele daria tudo pra descobrir de onde vinha esta sugest&atilde;o que  quase sempre o amedrontava): &ldquo;<em>Este problema de certa maneira tem a  ver com voc&ecirc; tamb&eacute;m. Pense bem: &ldquo;voc&ecirc; &eacute; ilegal&rdquo;. Ele querendo se  defender, argumentava: o que tem uma situa&ccedil;&atilde;o a ver com outra? &ldquo;Pense  direitinho&rdquo;, continuava a voz: Voc&ecirc; &eacute; ilegal e o cachorro est&aacute; infeliz.  Imagine se eles perdem o controle da situa&ccedil;&atilde;o, culminando numa den&uacute;ncia  por parte do vizinho! Fatalmente viria a sociedade de defesa dos animais  averiguar o caso. Pediria nome e documenta&ccedil;&atilde;o de todos os moradores da  casa, consequentemente iriam descobrir sua verdadeira situa&ccedil;&atilde;o</em>. De  repente, ele abre os olhos. Uma sensa&ccedil;&atilde;o estranha come&ccedil;a a lhe tomar  conta, o cora&ccedil;&atilde;o j&aacute; batia mais r&aacute;pido e suores vinham-lhe ao rosto. Os  pensamentos passando em sua mente como num filme. J&aacute; imaginava aquelas  viaturas inglesas com homens uniformizados munidos de pranchetas e  canetas na porta da casa. Vizinhos olhando e cochichando, fazendo  conjecturas a respeito do ocorrido. Ele sendo levado pela imigra&ccedil;&atilde;o para  ser deportado e o cachorro sendo conduzido para uma esp&eacute;cie de cl&iacute;nica  de recupera&ccedil;&atilde;o para cachorros traumatizados.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao pegar o metr&ocirc;, sempre via nos jornais  sensacionalistas sobre esc&acirc;ndalos (ele pensava que este tipo de jornal  era coisa de brasileiros), e imaginanava uma manchete estampada com  letras garrafais: &ldquo;ATRAV&Eacute;S DE DEN&Uacute;NCIA, POL&Iacute;CIA &Eacute; CHAMADA EM UMA CASA NO  SUL DE LONDRES E ENCONTRA UM &ldquo;CACHORRO INFELIZ E UM <strong>IMIGRANTE</strong> ILEGAL&rdquo;. Podia at&eacute; ver a cara das pessoas balan&ccedil;ando suas cabe&ccedil;as em um  gesto de desaprova&ccedil;&atilde;o e indigna&ccedil;&atilde;o. (como se n&atilde;o tivessem feito nada de  errado&nbsp;ao longo de&nbsp;suas vidas)&nbsp;.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas para seu alivio no dia seguinte,  tomaram uma decis&atilde;o, ja n&atilde;o tinham a menor d&uacute;vida, o tony ficaria com a  sala s&oacute; pra ele, afinal de contas ele merecia ser feliz. Migrantino  enfim podia &nbsp;respirar mais aliviado. Olhando tony conclui: <em>&eacute; melhor eu me dedicar ao m&aacute;ximo para que este cachorro seja feliz, pelo menos enquanto eu estiver aqui.</em></p> ]]></description>
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<title>Alimentando patos</title>
<link>https://artigopt.com/arte-e-entertenimento/humor/alimentando-patos.html</link>
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<pubDate>Sat, 20 Aug 2011 06:32:04 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[ <p style="text-align: justify;">Devido a crise econ&ocirc;mica que ainda  persistia por toda a europa, o desemprego era uma constante na vida de  Migrantino. Qualquer coisa que lhe pudesse render o suficiente para  pagar o aluguel e suas despesas b&aacute;sicas seria muito bem vinda. Num dia,  enquanto conversava com Carlos em um caf&eacute; no centro, onde houvera  trabalhado, este lhe informa que ouviu dizer, (n&atilde;o sabia porque, mas as  pessoas sempre ouviam dizer, nunca soubera nada em sua fonte). Segundo  Carlos, estavam recrutando pessoal para trabalhar em uma fazenda no  interior. &ldquo;Fazenda?&rdquo; Pergunta ele, j&aacute; interessado. Sim, parece que n&atilde;o &eacute;  bem uma fazenda de gado, mas acho que o servi&ccedil;o l&aacute; &eacute; para alimentar  patos, especula Carlos. Interessante, deve ser legal, afinal eu fui  criado no inteiror e iria gostar do ambiente, ficar mais pr[oximo da  natureza, para falar a verdade n&atilde;o gosto muito de capital.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto ainda falava, seu  c&eacute;rebro ja lhe providenciava v&aacute;rias janelas com imagens mostrando-o,  numa bela manh&atilde; de sol,&nbsp;sentado num banquinho de madeira com uma bacia  no colo, jogando milho aos patinhos num grande quintal, rodeado de  &aacute;rvores frut&iacute;feras por todos os&nbsp;lados. Passarinhos cantando,&nbsp;e a cada  m&ecirc;s seu sal&aacute;rio sendo depositado em sua conta banc&aacute;ria. J&aacute; cogitava,  sileciosamente, que neg&oacute;cio ele abriria no Brasil (nesta &eacute;poca  Migrantino era muito teimoso ainda). Parecia j&aacute; totalmente esquecido do  passado. Era regularmente acometido por um tipo de  amn&eacute;sia&nbsp;tempor&aacute;ria.&nbsp;Havia se esquecido de suas experi&ecirc;ncias anteriores  e&nbsp;at&eacute; das hist&oacute;rias recentes que tinha ouvido de Ana <a href="http://www.trabalheonline.co.uk/objetivo-do-blog/" title="sobre">sobre</a> imigrantes ilegais que se aventuraram em trabalhar no inteiror e  que&nbsp;passaram por&nbsp;situa&ccedil;&otilde;es&nbsp;traumatizantes. Sempre achava que com ele  seria diferente, iria ocorrer o esperado (confundia sempre: otimismo com  teimosia). Estava decidido. Iria ter uma vida mais simples numa fazenda  do interior.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ele mesmo j&aacute; havia passado pela experi&ecirc;ncia de trabalhar fora de <a href="http://www.trabalheonline.co.uk/opcoes-de-acomodacao-em-londres/" title="Londres">Londres</a>. No sudeste da inglaterra numa praia, onde atrav&eacute;s de algu&eacute;m que tinha ouvido dizer que estavam precisando de um ajudante em um restaurante. Ele pegou o telefone de Jonas, nome do respons&aacute;vel e j&aacute; combinou o dia que pegaria o trem  at&eacute; a cidade. Jonas, ao receb&ecirc;-lo no restaurante, se apresentou como  headchef, para quem n&atilde;o sabe, em todo restaurante, existe &ldquo;chefs&rdquo; (&eacute; um  tipo de cozinheiro que deu certo) e um headchef (chefe do cozinheiro que  deu certo), que normalmente comanda uma equipe (que nunca d&aacute;  certo)&nbsp;composta de&nbsp;5 ou mais &ldquo;chefs&rdquo;. O estranho que ao chegar ao  restaurante, notara que havia 3 gar&ccedil;ons e Jonas. N&atilde;o via mais  funcion&aacute;rios e arriscou perguntar a Jonas: quem trabalha aqui na  cozinha? Jonas responde: s&oacute; eu, e agora voc&ecirc;. E voc&ecirc; &eacute; o headchef? Sim.  Mas onde est&aacute; os chefs? Pergunta Migrantino inconformado. Na verdade  tinha uma mulher que me ajudava, mas ela saiu h&aacute; 1 ano, diz Jonas. Ele  j&aacute; sentira alguma coisa estranha no ar e pensava: &ldquo;ele e uma esp&eacute;cie de  general que se auto intitulou, como lhe faltava uma tropa, acabara de recrutar um soldado&rdquo;.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Era um restaurante de comida  italiana, mas tinha como propriet&aacute;rio um polon&ecirc;s e um ingl&ecirc;s filho da  cidade. Era uma cidadezinha tipicamente ingleza no litoral nordeste da  inglaterra, bem parecida com as cidades do interior do brasil. Com uma  rua principal e outras ruelas adjacentes. O movimento basicamente girava  em torno da rua principal, onde ficava o restaurante no andar t&eacute;rreo e  um apartamento em cima onde morava os funcion&aacute;rios. Jonas era jovem ainda, tinha  chegado a inglaterra h&aacute; 5 anos e trabalhava neste restaurante desde  ent&atilde;o. Como ele notara, os brasileiros que al&iacute; chegavam, em sua grande  maioria eram jovens, pessoas simples, sem nenhuma experi&ecirc;ncia de vida,  nenhum preparo para se relacionar com as pessoas e muito menos comandar  algu&eacute;m. Este era o problema principal de conviv&ecirc;ncia.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estas pessoas quando sa&iacute;am de  suas cidades, geralmente do interior do Brasil central, quase a  totalidade delas n&atilde;o experiemntaram nenhuma experi&ecirc;ncia fora de suas  casas quando no Brasil, no m&aacute;ximo, j&aacute; teriam ido a uma festa de pe&atilde;o de  boiadeiro na cidade vizinha num fim de semana. De repente, ouvem algu&eacute;m  dizer que num &ldquo;tal de Londres&rdquo; as pessoas ganham muito dinheiro e que se quiserem, elas tamb&eacute;m podem, e s&oacute; comprar uma passagem, entrar  num avi&atilde;o, e desembarcar no aeroporto. Chegando&nbsp;l&aacute;, ouvir&aacute; uns  homens&nbsp;brancos altos de olhos azuis vestindo ternos, falarem uma l&iacute;ngua  enrolada, mas que no fim elas acabam entrando. E citam milhares de  exemplos de colegas, vizinhos e conhecidos que se deram bem&nbsp; e mandaram  uma montanha de dinheiro para os parentes que l&aacute; deixam. Passando assim  uma falsa impress&atilde;o de facilidade, parecendo que o dinheiro al&iacute; nascia  em &aacute;rvores.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Migrantino mesmo&nbsp; conhecera  v&aacute;rios casos, como por exemplo, de um rapaz que trabalhava 20 horas por  dia e mandava todo seu rendimento para sua fam&iacute;lia guardar, at&eacute; o &uacute;ltimo  centavo. Dizia que seus parentes providenciaram at&eacute; um placar  eletr&ocirc;nico na sala de visitas de sua casa no Brasil, onde registravam  cada libra que chegava com as devidas rea&ccedil;&otilde;es da plat&eacute;ia, dignas de um  gol em final de decis&atilde;o de campeonato. Depois de ter trabalhado neste  r&iacute;tmo por mais de 5 anos, ele finalmente resolve voltar para o Brasil,  para enfim poder perder o pr&oacute;prio dinheiro sossegado. Mas o que ele n&atilde;o  esperava &eacute; que sua fam&iacute;lia j&aacute; tinha feito o servi&ccedil;o, ou seja, j&aacute; o tinha  perdido por ele. Nao sobrou um s&oacute; centavo. ( e nem o placar). Tempos  depois foi obrigado a retornar e come&ccedil;ar tudo de novo. Mas desta vez  seria bem diferente, segundo ele, pois agora s&oacute; mandaria o dinheiro para  sua mulher que deixara no Brasil. (as pessoas, como o pr&oacute;prio  Migrantino, achavam que da pr&oacute;xima vez as coisas ser&atilde;o sempre  diferentes,&nbsp;ainda que&nbsp;continuam&nbsp; repetindo os mesmo erros).</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ele come&ccedil;ara a perceber que o  problema maior das pessoas n&atilde;o era propriamente ganhar dinheiro, isto  era reativamente f&aacute;cil. Mas a grande quest&atilde;o era saber administr&aacute;-lo.  Era&nbsp;nesta &aacute;rea que concentrava &nbsp;o grande desafio. Percebia que tivera as  mesmas oportunidades de ganhar dinherio em sua vida como todas as  pessoas, mas n&atilde;o soubera&nbsp;us&aacute;-lo adequadamente. E agora presenciava sua  pr&oacute;pria incapacidade tamb&eacute;m&nbsp;em outras pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Era como se algu&eacute;m, de  repente&nbsp;ganhasse uma&nbsp;moderna aeronave, mas n&atilde;o tivesse a m&iacute;nima id&eacute;ia de  como pilot&aacute;-la. Em sua &atilde;nsia em tir&aacute;-la do solo, fizesse um esfor&ccedil;o  enorme para decol&aacute;-la. Poderia at&eacute; conseguir, mas seria uma ilus&atilde;o, pois  para mant&ecirc;-la voando com seguran&ccedil;a,&nbsp;efetuando&nbsp;pousos e&nbsp; novas  decolagens frequetemente,&nbsp;exigira muito conhecimento e pr&aacute;tica. Apesar  de ser um aparelho moderno, inevitavelmente passaria por &nbsp;turbul&ecirc;ncias  durante&nbsp;os v&ocirc;os.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este mesmo princ&iacute;pio poderia  ser aplicado na vida financeira dos seres humanos. N&atilde;o bastaria s&oacute;  possuir o dinheiro. Seria imprescind&iacute;vel saber como lidar com ele. Era  nisto que a grande maioria das pessoas falhavam. Migrantino pensava&nbsp;ser  um ex&iacute;mio administrador, bastaria ter a oportunidade de ganhar na  loteria por exemplo, ou se dar bem como um empres&aacute;rio ou ter tido uma  carreira de sucesso. Mas, tempos depois, perceberia que&nbsp;o grande motivo  de seu insucesso financeiro, era n&atilde;o ter sabido&nbsp;lidar com o dinheiro que  sempre teve.&nbsp;Isto parecia fazer sentido n&atilde;o s&oacute; na &aacute;rea financeira, mas  tamb&eacute;m poderia se estender a&nbsp;todas as outras. Talvez a pergunta que ele  deveria passar a fazer seria: &ldquo;Onde eu errei, para que tudo desse errado  comigo?&rdquo; e n&atilde;o: &ldquo;Porque tudo da sempre errado comigo?</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ele conhecera homens  que&nbsp;procediam literalmente de fazendas, onde trabalhavam sem nunca ter  saido de perto da familia. N&atilde;o tinham a m&iacute;nima id&eacute;ia do que significava  deixar sua casa, familia e principalmente seu pa&iacute;s e se aventurar num  pa&iacute;s que nem mesmo sabiam falar a l&iacute;ngua. Viver na ilegalidade, com a  &uacute;nica finalidade de ganhar dinheiro. Isto, somado ao trabalho duro e  cont&iacute;nuo, a discrimina&ccedil;&atilde;o, humilha&ccedil;&otilde;es e as dificuldades de adapta&ccedil;&atilde;o ao  clima, cultura&nbsp;e culin&aacute;ria que s&atilde;o inevit&aacute;veis. Esta situa&ccedil;&atilde;o colocaria  qualquer ser humano sob intensa press&atilde;o.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ele conhecera um t&iacute;pico caso,  num de seus trabalhos. Conhecera Vera, uma jovem de vinte e seis anos,  sa&iacute;ra do noroeste brasileiro, diretamente para Inglaterra. Ignorava  totalmente o que era estar na inglaterra, num outro pa&iacute;s, com outros  costumes, outra cultura. Se sentia em sua cidade quando conversava. Dava  esc&acirc;ndalos em pleno servi&ccedil;o. N&atilde;o importando que ao seu redor havia  dezenas de ingleses assustados a olhando. Isto porque n&atilde;o entendiam o  que ela falava. A cada dez palavras, nove eram palavr&otilde;es que com certeza  seriam proibidos em feiras livres e campos de futebol no Brasil. &Agrave;s  vezes quando&nbsp;a observava em seus gestos, Migrantino tinha o h&aacute;bito de se  perguntar silenciosamente: &ldquo;Como ela conseguiu passar na imigra&ccedil;&atilde;o? &Eacute;  uma pergunta que talvez nunca seria respondida.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesta nova situa&ccedil;&atilde;o, se o  imigrante, seja l&aacute; de onde vier n&atilde;o tiver um m&iacute;nimo de equil&iacute;brio, bom  senso e experi&ecirc;ncia, se comportar&aacute; como um animal, lutando pela pr&oacute;pria  sobreviv&ecirc;ncia. Seguindo &uacute;nico e exclusivamente seus instintos.&nbsp; Perdendo  todo o sentido de humanidade e respeito pelo pr&oacute;ximo. Infelizmente era o  que ele notava ao observar o comportamento das pessoas. Falavam de  todos os assuntos, desde que inclu&iacute;sse cota&ccedil;&atilde;o do Real perante a libra.  Quanto dinehiro j&aacute; havia guardado. Enfim, suas vidas giravam em torno do  lado financeiro, como se isso&nbsp;fosse a &uacute;nica raz&atilde;o pela qual viviam.&nbsp;O  importante era ganhar&nbsp;sempre e n&atilde;o importaria se para isso&nbsp;tivessem de  passar por cima do outro, ou fazer algo que certamente n&atilde;o fariam se  estivessem mais l&uacute;cidos.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As pessoas pareciam se  comportarem de outra maneira ao chegarem al&iacute;. Adquiriam uma esp&eacute;cie de  dupla personalidade. Ou seria que Londres se tornara uma grande m&aacute;quina  de raio &ldquo;x&rdquo;. Onde &agrave; partir do momento de sua chegada, cada um fosse aos  poucos sendo submetido a uma grande radiografia moral&nbsp; que  gradativamente iria se revelando uma personalidade at&eacute; ent&atilde;o reprimida  ou desconhecida. Quem sabe adormecida, s&oacute; esperando um habitat adequado,  onde poderia mostrar quem realmente era ou gostaria de ser mas que at&eacute;  ent&atilde;o&nbsp;n&atilde;o tivera oportunidade. Migrantino notara que o verdadeiro  car&aacute;ter das pessoas se revelava quase sempre nas adversidades. Era f&aacute;cil  ser bom e am&aacute;vel em situ&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis, mas quase imposs&iacute;vel se manter  calmo e equilibrado quando as coisas v&atilde;o mal. Quando se sente  pressionado, acuado. E aquele ambiente com todas as suas dificuldades se  tornaria uma prova de fogo, onde as pessoas inevitavelmente iriam se  revelando e expondo suas verdadeiras &iacute;ndoles.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Notara que principalmente os  jovens, se comportavam de maneira diferente de quando moravam em seus  pa&iacute;ses de origem. Talvez devido a repress&atilde;o que sofreram. Ali  julgalvam-se sentir mais &ldquo;livres&rdquo;, com comportamentos e linguagens  isentos de qualquer autocensura. N&atilde;o respeitando o ambiente e muito  menos as pessoas ao seus redores. Agindo de uma maneira como se  quisessem recuperar o tempo perdido. Sem&nbsp; ter a conci&ecirc;ncia, que aos  poucos eles mesmos est&atilde;o se perdendo e se depreciando em nome de uma  pseudo liberdade. Achavam que bastavam proteger seus corpos com&nbsp; certos  cuidados e preservativos de todas as esp&eacute;cies, mas&nbsp;ignorando que possuem  uma alma, e para proteg&ecirc;-la, nenhum tipo de prote&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica seria  eficiente contra os danos &nbsp;causados pelos atos impensados. Estavam  convencidos que&nbsp;a &uacute;nica atra&ccedil;&atilde;o&nbsp;que podem oferecer para chamar a aten&ccedil;&atilde;o  do mundo e serem aceitos, seriam suas apar&ecirc;ncias. Exibindo seus corpos  cada vez mais&nbsp;transfigurados pela nova moda, em detrimento do que  realmente tinha valor.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os atritos eram constantes,  como os imigrantes brasileiros vinham de diversas partes do Brasil,  naturalmente come&ccedil;avam a se dividirem em classes. Era uma mistura de  costumes&nbsp; e sotaques que ora era ben&eacute;fico, ora causava discuss&otilde;es. Cada  classe tinha suas peculiaridades como a discri&ccedil;&atilde;o dos mineiros. A  &ldquo;malandragem&rdquo; do carioca. A alegria do baiano. A seriedade dos paulistas  e o orgulho dos ga&uacute;chos. Esse grande bolo era temperado com  ingredientes estrangeiros,&nbsp;procedentes de todos os continentes,  principalmente o europeu. Podia parecer esquisito, mas Migrantino notara  que os goianos, apesar de pertecerem ao Brasil, conseguiram estar numa  classe a parte. Devido a hostilidade que seus compatriotas desenvolveram  contra eles. N&atilde;o se sabia explicar muito bem o motivo desta avers&atilde;o,  mas com o tempo eles foram se tornando maioria ali na cidade e como  tal,&nbsp;uma classe a ser combatida e evitada. Os goianos estariam para a  Inglaterra, assim como os mineiros estariam para os Estados Unidos.&nbsp; Ele  achava que esta richa era apenas boatos ou exagero, ate que um dia  presenciou um rapaz entrar no &ocirc;nibus com uma frase escrita na frente e  nas costas de sua camisa: &ldquo;Sou goiano e dai? Depois disso, nao teve mais  d&uacute;vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas para ele o problema n&atilde;o  era exatamente de preconceito quanto a regi&atilde;o de origem. At&eacute; porque  costumava dizer que goiano era uma outra vers&atilde;o do mineiro, com uma  diferen&ccedil;a: o mineiro pensa sem falar e o gioano fala sem pensar, em  outras palavras: O goiano fala o que o mineiro pensa. Talvez isso tenha  contribu&iacute;do um pouco para que eles fossem combatidos. Mas Migrantino n&atilde;o  tinha mais d&uacute;vidas que a raiz do problema estaria no preparo da pessoa  em si e n&atilde;o de qual regi&atilde;o ela procedia. Poderia vir de qualquer lugar  do Brasil ou do mundo. Se tivesse o m&iacute;nimo de experi&ecirc;ncia de vida, de  personalidade, de valores bem consolidados, seria bem recebido em  qualquer parte do planeta.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lembrara que ouvira esta  afirma&ccedil;&atilde;o de algu&eacute;m: &ldquo;As pessoas que saem do Brasil para ir trabalhar em  outro pa&iacute;s geralmente s&atilde;o as piores, porque as melhores n&atilde;o tem motivos  para sairem de l&aacute;&rdquo;. Ele podia comprovar a veracidade desta frase dita  espontaneamante. Mas n&atilde;o usaria o termo &ldquo;piores&rdquo;, pois n&atilde;o acreditava em  pessoas melhores ou piores. Mas sim, em pessoas preparadas ou n&atilde;o para  sairem de suas cidades e ir diretamente para outro pa&iacute;s, pois isto  provocaria uma mudan&ccedil;a muito grande em suas rotinas, com rea&ccedil;&otilde;es  imprevis&iacute;veis, afetando diretamente quem iria conviver com elas.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jonas, o headchef deste  restaurante, era tipicamente este tipo de imigrante, que por acaso era  goiano. Uma vez ele lhe disse que tinha de decorar todo o card&aacute;pio do  restaurante. Se assim o fizesse Migrantino poderia se tornar um &ldquo;chef&rdquo;  em duas semanas, pois ele j&aacute; estava cansado de ter que trabalhar sozinho  por horas a fio e precisava de umas f&eacute;rias. S&oacute; que ignorava que n&atilde;o se  fazia um chef em duas semanas, ainda que ele decorasse todo o card&aacute;pio.  Se assim o fosse, aquele cliente que frequentava o restaurante  assiduamente poderia muito bem ser um chef, pois com certeza saberia de  cor todo o menu. Para aprender a cozinhar ou qualquer outra coisa,&nbsp;seria  nescessario um tempo m&iacute;nimo de pr&aacute;tica, lhe dizia Migrantino. Mas Jonas  categoricamente afirmava: &ldquo;eu aprendi assim&rdquo;. O servi;o dele a  princ&iacute;pio era fazer as saladas, o que n&atilde;o era uma tarefa f&aacute;cil, j&aacute; que  teria que usar diversos pratos diferentes e saladas bem diversificadas  para cada prato, com nomes em ingl&ecirc;s e italiano. Migrantino mal sabia o  portugu&ecirc;s.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Percebendo sua&nbsp; pr&oacute;pria  dificuldade para diferenciar as saladas, ele lhe sugeriu que tirasse uma  fotografia de cada salada pronta, pois isso ajudaria na indentifica&ccedil;&atilde;o  das mesmas, pelo menos at&eacute; ele pegar pr&aacute;tica, mas a resposta foi a  mesma: &ldquo;Eu aprendi assim&rdquo;. Quando as pessoas reagiam assim, vinha logo  em sua mente a hist&oacute;ria da experiencia com os macacos, que diz o  seguinte:</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &ldquo;Um grupo de cientista colocou  cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada, e sobre ela, um cacho de  bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas,  jogavam um jato de &aacute;gua fria nos macacos que estavam no ch&atilde;o. Depois de  certo tempo, quando um macaco ia subir na escada os outros o pegavam e o  enchiam de pancada. Com mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a  escada, apesar da tenta&ccedil;&atilde;o das bananas. Ent&atilde;o substitu&iacute;ram um dos  macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada.  Dela sendo retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas  surras, o novo integrante do grupo n&atilde;o subia mais a escada. Um segundo  foi substitu&iacute;do e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto  participado com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e  o mesmo ocorreu. Um quarto e por final o &uacute;ltimo dos veteranos foi  substitu&iacute;do. Os cientistas ficaram entao com um grupo de cinco macacos  que mesmo sem tomar um banho frio, continuavam batendo naquele que  tentava pegar as bananas. Se fosse poss&iacute;vel perguntar a algum deles  porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a  resposta seria: &ldquo; n&atilde;o sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui&rdquo;.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta resposta que Jonas dava a  cada sugest&atilde;o que ele fazia: &ldquo;eu aprendi assim&rdquo; era tipicamente o que  esta mensagem da experi&ecirc;ncia transmite. As pessoas fazem as coisas  porque aprederam assim, por que algu&eacute;m disse que era assim, o chefe  disse que&nbsp;era assim,&nbsp;o avo fazia assim, o pai fazia assim, portanto eles  continuam fazendo assim. Se recusavam a questionar: porque tinha de ser  assim?. Ao inv&eacute;s de combaterem a causa dos problemas, preferiam  administrar as consequ&ecirc;ncias, ou pior, aceit&aacute;-las,&nbsp;e  principalmente&nbsp;culpar algu&eacute;m por elas.&nbsp;Notava que Jonas sempre reclamava  que acabava ficando sozinho, sempre quando entrava algu&eacute;m, n&atilde;o  permanecia muito tempo. E logicamente ele &ndash; Migrantino &ndash; seria mais um.  Isto era a prova do despreparo das pessoas que deixam suas casas, ainda  jovens. Muitos j&aacute; vinham de fam&iacute;lias probelm&aacute;ticas, pais violentos.  Chegando al&iacute;, n&atilde;o encontravam situa&ccedil;&atilde;o diferente e talvez at&eacute; pior.  Sendo humilhados e desprezados. Tratados como se fossem uma ma&aacute;uina ou  um n&uacute;mero e n&atilde;o como um ser humano, mas como uma m&atilde;o-de-obra em  potencial. Fazendo-os&nbsp;esquecerem que possuiam um c&eacute;rebro pra pensarem e  uma alma pra sentirem. Se tivessem um m&iacute;nimo de&nbsp;bom senso, poderiam  reverter este quadro, se procedendo de maneira diferente daquela que foi  ensinado. O sofrimento para eles passou a ser obrigat&oacute;rio, nescess&aacute;rio,  e&nbsp;o pior, passado a frente. N&atilde;o como uma forma de aprendizagem, mas sim  de castigo. Ao inv&eacute;s de consertar uma situa&ccedil;&atilde;o errada, quase sempre  optavam por perpetu&aacute;-la, como se fosse um padr&atilde;o a ser seguido. Enfim,  Migrantino como n&atilde;o concordava com esse tipo de procedimento, resolveu  retornar a Londres e depois de ter trabalhado duas semanas sem virar  &ldquo;chef&rdquo;, evidentemente, n&atilde;o recebeu pelo seu trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois de mais um tempo  fazendo bicos, resolve trabalhar novamente como kitchen porter (um  lavador de lou&ccedil;as de primeiro mundo), cobrindo&nbsp;a vaga&nbsp;de um funcion&aacute;rio  que havia fugido. Ap&oacute;s ter p&ecirc;go o endere&ccedil;o ele chega at&eacute; o local. Era um  restaurante aparentemente normal (tudo em Londres parece normal, pelo  menos aparentemente), que servia pratos t&iacute;picos de v&aacute;rios pa&iacute;ses do  mundo. Logo ao chegar,&nbsp; &eacute; conduzido por um funcion&aacute;rio at&eacute; a cozinha que  n&aacute;o tinha mais que uns 20 metros quadrados. Migrantino v&ecirc; logo dois  fog&otilde;es de seis bocas cada um, com todas as chamas ligadas ao m&aacute;ximo,  numa temperatura que beirava os 50 graus e atr&aacute;s de um deles estava um  homem de uns 150 kilos e mais ou menos 1,98 de altura, careca, na parte  frontal da cabe&ccedil;a (n&atilde;o dava pra notar se ele raspava ou era de  nascen&ccedil;a). Uma roda de cabelos na parte de traseira, de onde ca&iacute;a uma  &nbsp;longa tran&ccedil;a preta que ia quase at&eacute; a cintura e os dois bra&ccedil;os tatuados  com enormes drag&otilde;es soltando fogo pela boca (como se al&iacute; j&aacute; n&atilde;o tivesse  fogo suficiente). Usava uma argola dourada no nariz, que combinava com  as duas maiores que pendiam de suas orelhas repletas de piercings.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando Migrantino o fitou,  segurava duas frigideiras&nbsp;pretas, feitas&nbsp;de ferro fundido. Em cada uma  das m&atilde;os, que mais pareciam um par de escavadeiras. As panelas n&atilde;o  pesavam menos que 4 kilos cada. Parecia que ainda tinha algo dentro  delas, uma esp&eacute;cie de mariscos que ele jogava pra cima levantando quatro  labaredas de fogo que davam lambidas no teto da cozinha,&nbsp; j&aacute;  completamente preto por anos de fuma&ccedil;a. Ele fica hipnotizado por um  instante, assistindo a cena. Ainda n&atilde;o tinha nehuma imagem formada do  inferno. Mas aquele cen&aacute;rio todo, acrescido com o cheiro caracter&iacute;stico  de &oacute;leo e &nbsp;carne queimada, lhe dava uma boa no&ccedil;&atilde;o do que seria. (chegou a  fazer uma pequena revis&atilde;o de todos os seus pecados). Aquele homem a sua  frente, com certeza seria o headchef, mas parecia mais um  personagem&nbsp;sa&iacute;do daquelas revistas em quadrinhos que ele costumava ler,  mais precisamente o &ldquo;Obelix&rdquo;, amigo insepar&aacute;vel de &ldquo;Asterix&rdquo;. Obelix,  quando era beb&ecirc; caiu dentro do calder&atilde;o de por&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica, adquirindo  assim uma for&ccedil;a sobrehumana. Aquela figura que acabara de ver, devia ter  ca&iacute;do v&aacute;rias vezes dentro do calder&atilde;o quando beb&ecirc;. Olhando-o agora era  imposs&iacute;vel imaginar que algum dia ele fora um simples e inocente beb&ecirc;.</p>
<p style="float: left;"><ins style="display: inline-table; border: medium none; height: 250px; margin: 0pt; padding: 0pt; position: relative; visibility: visible; width: 300px;"><ins id="aswift_1_anchor" style="display: block; border: medium none; height: 250px; margin: 0pt; padding: 0pt; position: relative; visibility: visible; width: 300px;"></ins></ins></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois de um certo tempo  parado, n&atilde;o sabendo se se virava e sa&iacute;a correndo ou se dizia algo, ele o  ouve gritando alguma coisa por detr&aacute;s das labaredas, com o rosto todo  vermelho devido ao calor do fog&atilde;o, mas n&atilde;o consegue entender direito e  outro chef percebendo sua diculdade, lhe mostra onde teria de trabalhar,  apontando dois tanques, a sua esquerda que ficavam bem na sa&iacute;da da  cozinha. Mas s&oacute; se conseguia ver parte das duas torneiras, pois os  tanques ja estavam cheios de panelas, vazilhas e bandejas&nbsp;de todos os  tipos e tamanhos espalhados pelo ch&atilde;o. Milhares de pratos e talheres.  Ele logo troca de roupa e come&ccedil;a sua luta. O tanque, como p&ocirc;de notar  quase em todos reutaurantes Londrinos davam na altura de suas coxas. N&atilde;o  porque ele era alto, mas todos os tanques de cozinha tinham esta altura  padr&atilde;o, o que acabava com a coluna de qualquer um, por ter que  obrigatoriamente se curvar para fazer o servi&ccedil;o. Outra peculiariadade  eram as torneiras. Uma com &aacute;gua quente escaldante, a ponto de lhe  arrancar a pele e a outra, sempre afastada lateralmente, com &aacute;gua gelada  a dez graus negativos, ou seja era imposs&iacute;vel trabalhar com elas  separadamente, mas tinha de escolher qual preferiria, geralmente ele  alternava. Come&ccedil;ava na quente e depois ia para a fria e vice versa. (nao  sabia porque em Londres &aacute;gua quente e fria nunca se juntavam).</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este tipo de servi&ccedil;o era  aquele que n&atilde;o acabava e muito menos diminu&iacute;a. Era uma quest&atilde;o de  matem&aacute;tica:&nbsp;5 cozinheiros sujando tudo que encontravam pela frente&nbsp;e&nbsp;8  guar&ccedil;ons trazendo pratos e talheres das mesas como se fossem esteira  rolante humana e s&oacute; uma pessoa para lavar (ele). Colocar&nbsp; tudo no lugar  de novo, que certamente eles sujariam no segundo seguinte e lhe  devolveriam para ser lavado novamente, numa ciranda sem fim. Isto em  per&iacute;odo de pouco movimento. Quatro lixeiras grandes que ficavam  colocadas em lugares inascess&iacute;veis da cozinha, que deveriam ser trocadas  assim que enchessem (e como enchiam!!), colocando o lixo fora do  restaurante, um quarteir&atilde;o adiante, saindo do calor de 50 graus para um  frio de 10 graus negativos na rua. Nas horas de movimento, as panelas  eram literalmente&nbsp;chutadas pelos chefs em dire&ccedil;&atilde;o a ele. Pois n&atilde;o tinham  tempo&nbsp;de lev&aacute;-las sem queimar alguma coisa no fog&atilde;o. Sendo que algumas  panelas o &nbsp;obrigava a entrar literalmente dentro delas para poder  lav&aacute;-las.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como trabalhava&nbsp;4 chefs e mais  um headchef e agora ele, somaria entao 6 pessoas transitando  freneticamente em um espa&ccedil;o super reduzido e altamente escorregadio,  devido aos inevit&aacute;veis derrames de &oacute;leo no ch&atilde;o, o que causava tombos  frequentes. (na verdade quem ca&iacute;a era sempre Migrantino, pois os demais  usavam botas especiais que ainda n&atilde;o tiveram tempo de lhe entregar ).  Como n&atilde;o havia trabalhado muito em cozinhas movimentadas como  esta&nbsp;anteriormente, n&atilde;o conhecia as regras de tr&acirc;nsito das mesmas. Pra  piorar a situa&ccedil;&atilde;o chegou em um hor&aacute;rio de &ldquo;busy&rdquo; (significa: &ldquo;ocupado,  movimentado&rdquo; em ingl&ecirc;s, que os brasileiros aportuguesaram para bisado),  n&atilde;o houve tempo h&aacute;bil pra ensin&aacute;-lo. Consequentemente, al&eacute;m dos tombos  no ch&atilde;o, trombava tamb&eacute;m com os chefs j&aacute; irritados (os chef`s s&atilde;o sempre  irritados e sem tempo). O pior aconteceu quando Migrantino entrou numa  esp&eacute;cie de contra-m&atilde;o, batendo de frente com o headchef (o Obelix),&nbsp;que  vinha em dire&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria com uma panela cheia de &aacute;gua quente, causando  assim um atropelamento sum&aacute;rio. Ainda no ch&atilde;o, enquanto se recuperava,  ele pode lembrar do que sentiu quando fora atropelado uma certa vez por  uma camionete numa movimentada avenida no Rio de Janeiro. Mas com o  passar do tempo foi aprendendo que na cozinha existia uma regra para se  locomover.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em primeiro lugar, explica o  chef. Este restaurante e tem&aacute;tico, ou seja, todo dia serve pratos  t&iacute;picos de um pa&iacute;s diferente, &nbsp;escolhidos semanalmente, mudando assim os  respectivos chef`s.&nbsp;Portanto foi criado&nbsp;umas normas b&aacute;sicas de tr&acirc;nsito  nesta cozinha. A mais importante &eacute; que existe uma  rotat&oacute;ria&nbsp;imagin&aacute;ria&nbsp;bem no centro dela. Voc&ecirc; tem&nbsp;de se locomover sempre  no sentido hor&aacute;rio da mesma, salvo no dia que os chef`s s&atilde;o ingleses.  Pois a&iacute; ter&aacute; de inverter a m&atilde;o, passando&nbsp;a transitar no&nbsp;sentido  anti-hor&aacute;rio (os ingleses sempre tinham de ser diferentes em tudo).  Esta&nbsp;rotat&oacute;ria jamais pode ser cruzada diretamente, continuava o chef.  Isto &eacute; considerado falta grave. Tem de contorn&aacute;-la sempre, respeitando  sua dire&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria&nbsp;e a&nbsp;cada vez que adentr&aacute;-la, n&atilde;o se esquecer nunca de  gritar a palavra &ldquo;BEX&rdquo; ( na verdade, ele descobriria quando tivesse  tempo, que a express&atilde;o certa&nbsp;seria : &ldquo;<em>WATCH YOUR BACK</em>&rdquo;,&nbsp; que em portugu&ecirc;s significava: &ldquo;<em>PRESTE ATEN&Ccedil;&Atilde;O ATR&Aacute;S DE VOC&Ecirc;</em>&rdquo;, mas que com o tempo simplificaram para &ldquo;<em>BACK</em>&rdquo;. Esse chef, que era&nbsp;um brasileiro que falava e lia , mas n&atilde;o escrevia e nem entendia ingl&ecirc;s, entendeu erradamente&nbsp;&rdquo;<em>BEX</em>&rdquo;.  Como os outros chefs n&atilde;o tiveram interesse e muito menos tempo em  corrig&iacute;-lo,&nbsp;assim ficou). Mas fale o mais alto que puder, insistia  ele,&nbsp;para que seu colega &agrave; frente perceba sua aproxima&ccedil;&atilde;o e possa lhe  dar prefer&ecirc;ncia, evitando assim um acidente.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O problema e que no hor&aacute;rio de  pico, ou bisado, para poder trocar as lixeiras que enchiam numa  velocidade espantosa, ele tinha que&nbsp;usar a rotat&oacute;ria pelo menos umas 8  vezes por noite. Sua garganta chegava a arder de tanto gritar &ldquo;BEX&rdquo;, o  mais alto que podia, pois teria que concorrer com um aparelho de som que  tocava uma esp&eacute;cie de m&uacute;sica que ele nunca conseguia &nbsp;identificar. O  volume do som era t&atilde;o alto que deixaria qualquer trio el&eacute;trico  &nbsp;humilhado (n&atilde;o sabia porque, mas toda cozinha em Londres tinha um  aparelho daquele). Quando finalmente, conseguia chegar em casa, ao  deitar, a m&uacute;sica&nbsp;ainda permanecia em sua&nbsp;cabe&ccedil;a tocando&nbsp;em seu ouvido o  tempo suficiente at&eacute; que acordasse e retornasse ao trabalho novamente,  alternadas pelos seus pr&oacute;prios gritos: &ldquo;BEX`S.&rdquo; Lembra que certa vez  quando estava de folga fazendo compra em um supermercado gritou &ldquo;BEX&rdquo;  involuntariamente atras de uma senhora&nbsp;de&nbsp;branco&nbsp;a sua frente, por forca  do h&aacute;bito, o que lhe causou constragimento diante do olhar assustado da  mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bom diante destas experiencias  anteriores, a id&eacute;ia de ir trabalhar em uma fazenda para alimentar  patos, soava bem melhor, at&eacute; que um dia ele encontra Carlos&nbsp;casualmente  que lhe fala sobre o trabalho novamente. como ele j&aacute; n&atilde;o tinha outra  op&ccedil;&atilde;o, resolve tentar mais uma investida fora de Londres. Depois de  acertar os detalhes do local pelo fone, finalmente pega um trem que sai  de Vit&oacute;ria station at&eacute; o norte da inglaterra, onde se localizava a  suposta fazenda. Eram seis horas de trem, onde chegaria a uma cidade. Da  esta&ccedil;&atilde;o ele pegaria um &ocirc;nibus que o deixaria num certo ponto da estrada  j&aacute; pre combinado, de onde lhe buscariam at&eacute; que finalmente chegasse no  local de trabalho. Depois de uma longa viagem ele se encontra finalmente  com o encarregadao dos trabalhos na fazenda, um brasileiro chamado Leo.  Um homem de m&eacute;dia estatura, que pelo tipo f&iacute;sico j&aacute; era acostumado a  trabalhos pesados. Durante a viagem que n&atilde;o levaria mais do que uns  quarenta minutos, numa estrada pavimentada, mas bem estreita.&nbsp; Ainda  meio perdido, Migrantino tenta puxar a l&iacute;ngua de Leo, que permanecia  calado, depois de lhe ter feito s&oacute; umas poucas perguntas. Apesar de sua  insist&ecirc;ncia, Leo se limitava a s&oacute; responder o nescess&aacute;rio, deixando-o  &nbsp;apreensivo quanto a verdadeira natureza de seu trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O inverno j&aacute; iniciara. A  temperatura nesta &eacute;poca ficava quase sempre abaixo de Zero, e nos  &uacute;ltimos anos, o clima na europa sofrera grandes modifica&ccedil;&otilde;es, tornara-se  cada vez mais rigoroso, com grandes nesvascas que literalmente parava  as grandes cidades. Enquanto o ve&iacute;culo avan&ccedil;ava pela estrada, pela  janela do ve&iacute;culo, ele observava aquela vegeta&ccedil;&atilde;o tipicamente europ&eacute;ia,  onde n&atilde;o havia grandes variedades de &aacute;rvores como costumava ver nos  cerrados brasileiros. No Brasil a natureza parecia mais viva e colorida.  Agora ele contemplava quase que uma pintura est&aacute;tica, sem vida, sem  cores, com o branco inconfund&iacute;vel da neve que cobria parcialmente toda a  vegeta&ccedil;&atilde;o e parte da j&aacute; estreita estrada, real&ccedil;ado ainda mais pelos  raios de sol que com o movimento do autom&oacute;vel pareciam correr entre os  troncos das &aacute;rvores. Migrantino lembrara da primeira vez em que havia  visto neve, s&oacute; tinha visto antes pelos filmes que assistia pela  televis&atilde;o quando no Brasil. Foi na Oxford street quando trabalhava em um  caf&eacute;. Quase n&atilde;o acreditou&nbsp;ao perceber&nbsp;atrav&eacute;s da porta de vidro que  dava para a rua, pequenos flocos de neve caindo sobre a cal&ccedil;ada. Recorda  de ter largado seu servi&ccedil;o e sa&iacute;do correndo como uma crian&ccedil;a em dire&ccedil;&atilde;o  &agrave; rua para ver sua primeria e inesquec&iacute;vel tempestade de neve,  despencando do c&eacute;u como se fossem pequenos peda&ccedil;os de algod&otilde;es gelados a  lhe cair no rosto e logo se transformando em &aacute;gua.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto ainda relembrava, Leo  lhe interrompe os pensamentos, lhe avisando que j&aacute; tinham chegado &agrave;  fazenda. Era uma grande constru&ccedil;&atilde;ao, bem antiga como tudo na inglaterra.  Parecia constru&iacute;da no in&iacute;cio do s&eacute;culo passado. Se via uma grande casa  central, rodeadas por pequenas constru&ccedil;&otilde;es de alojamentos para  funcion&aacute;rios, e em anexo, v&aacute;rios galp&otilde;es cobertos, onde provavelmente  era o local que trabalharia. Logo na entrada, um grande p&aacute;tio continha  v&aacute;rios caminh&otilde;es frigorificos estacionados. Mais acima se localizava uma  lagoa artificial, de onde sairia a &aacute;gua que alimentava a fazenda, que  parecia mais uma pequena ind&uacute;stria do que propriamente uma fazenda. Pelo  menos nos&nbsp;padr&otilde;es que ele imaginara. Logo fora apresentado a Alex, um  brasileiro que at&eacute; ent&atilde;o trabalhava l&aacute;. (era incr&iacute;vel!! Em qualquer  lugar na inglaterra,&nbsp; por mais remoto e in&oacute;spito que fosse, Migrantino  sempre encontrava brasileiros). Agora seriam tr&ecirc;s. Ele, Alex e Leo, o  encarregado. Como era costume, assim que chegou, Leo&nbsp;designou Alex&nbsp;para  acompanh&aacute;-lo e lhe mostrar onde poderia deixar seus pertences. Alex era  tamb&eacute;m novato neste lugar, j&aacute; que chegara tamb&eacute;m de Londres &agrave; pouco mais  um m&ecirc;s. Portanto, como notara, ainda n&atilde;o estava muito a vontade e muito  menos satisfeito. At&eacute; meio assustado pelo seu aspecto.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alex foi logo contando como  era o servi&ccedil;o. &Eacute; o seguinte: diz ele: esta e uma fazenda de um judeu que  cria patos para fornecer para os hot&eacute;is e restaurantes na inglaterra. A  nossa tarefa e aliment&aacute;-los, pois quando adiquirem o p&ecirc;so ideal, ser&atilde;o  abatidos, embalados e transportados por aqueles caminh&otilde;es, diz ele,  apontando com o dedo para o grande p&aacute;tio , at&eacute; o local de consumo. Mas o  mais apreciado no pato n&atilde;o &eacute; bem sua carne. N&atilde;o!! Interrompe  Migrantino. N&atilde;o. Responde Alex. Mas o que eles mais apreciam ent&atilde;o?  Pergunta, j&aacute; curioso. &Eacute; o figado, diz Alex. F&iacute;gado! Estranho! mas &eacute; t&aacute;o  pequeno, augumenta, inocentemente. N&atilde;o desses patos, responde Alex j&aacute;  com uma certa dose de maldade. O f&iacute;gado dessa esp&eacute;cie de pato chega a  pesar 1 kilo quando no tempo do abate. Eles fazem pat&ecirc; dele para vender  para hot&eacute;is na inglaterra. &ldquo;Meu Deus!!&rdquo;, pensa ele, se s&oacute; o figado pesa 1  kilo, imagina o tamanho desse pato. E j&aacute; come&ccedil;a a ficar preocupado,  pois n&atilde;o era bem isso que imaginava encontrar, como em quase todos seus  empregos anteriores (em Londres ele nunca encontrava o que imaginava).</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E finalmente Alex o leva ao  local de Trabalho. Enquanto caminham, Alex vai lhe dando os detalhes. &Eacute; o  seguinte, aqui trabalha mais ou menos uns vinte e cinco homens. Todos  imigrantes, como polonoses, africanos, e alguns indianos. Mas porque  mais ou menos? O interrompe Migrantino. Porque quase sempre h&aacute; fugas.  Como assim? E verdade! Eu mesmo quando cheguei, Leo Foi logo prevendo a  minha e ainda por cima disse que eu sairia sem receber. H&aacute; quanto tempo  Leo trabalha aqui? Ele me disse uma vez que faz mais ou menos uns cinco  anos. Ent&atilde;o!! Se ele n&atilde;o fugiu porque iriamos fugir? Mas ele &eacute;  diferente. J&aacute; notou os bra&ccedil;os dele? Parecem dois troncos de &aacute;rvores. Sua  profiss&atilde;o no brasil era tirador de leite. Ordenhava manualmente cerca  de cem vacas por dia e isso faz diferen&ccedil;a no trabalho aqui. &nbsp;Como ia te  dizendo a respeito dos outros, cuidado com eles. S&atilde;o muito espertos.  Como assim espertos? J&aacute; lembrando de Ana, que costumava lhe fazer  advert&ecirc;ncias a respeito dos perigos de todos os tipos que sempre  rondavam os locais de trabalhos. Mas pelo menos aqui n&atilde;o correria o  risco de ser pego pela mimi, pensava ele. E Alex lhe diz que costumam  jogar seus patos doentes em galp&otilde;es vizinhos e suas v&iacute;timas s&atilde;o sempre  os novatos.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S&atilde;o seis mil e duzentos e  cinquenta patos dividos para vinte e cinco homens, no entando, cada um  tem de alimentar duzentos e cinquenta patos,&nbsp; e n&atilde;o pode deixar nenhum  morrer. Caso contr&aacute;rio ser&aacute; descontado no seu sal&aacute;rio. T&aacute; vendo aquele  galp&atilde;o? Sim, afirma ele. &Eacute; o seu. Onde fica o milho? Pergunta (outra  vez, inocentemente). Que milho? Os patos s&atilde;o alimentados com ra&ccedil;&atilde;o  previamente preparada para que alcancem seus pesos o mais r&aacute;pido  poss&iacute;vel. Voc&ecirc; tem de colocar no bico deles, n&atilde;o pode esperar eles terem  fome, pois o prazo e muito curto. E infelizmente eles nunca t&ecirc;m fome.  Voc&ecirc; n&atilde;o pode perder tempo convencendo-os, fazendo avi&atilde;ozinho para  persuad&iacute;-los a comer. Tem de enfiar no bico deles garganta abaixo com  esta colher, e lhe entrega um instrumento que mais parecia uma p&aacute;.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto os dois caminham em  dire&ccedil;&atilde;o ao seu galpao, ele finalmente avista os patos. Come&ccedil;am a ser  alimentados assim quando nascem e aos tr&ecirc;s meses v&atilde;o chegando ao p&ecirc;so  ideal,&nbsp; com cerca de uns 8 kilos. Num dos galp&otilde;es, Migrantino v&ecirc; um  rapaz que parecia ser africano, cuidando de seus patos. Se &eacute; que este  seria o termo adequado. Mais parecia uma luta livre do que uma sess&atilde;o de  alimenta&ccedil;&atilde;o. Pelo jeito era novato, pois ele e o pato estavam quase no  fim do sexto assalto e o pato estava lhe dando uma surra, sobre o olhar  dos outros duzentos e quarenta e nove patos que sem sombra de d&uacute;vidas  apostavam no seu colega que certamente iria vencer facilmente a luta  provavelmente por kno&agrave;ckout. Ele olhava os dois rolando numa camada de  &aacute;gua corrente de mais ou menos 20 centimentros de profundidade. &Agrave;s vezes  se tornava quase imposs&iacute;vel perceber quem alimentava quem. Quem batia  em quem j&aacute; n&atilde;o restava a menor d&uacute;vida. O pobre homem estava todo molhado  e com as roupas parcialmente rasgadas.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Migrantino assistia a luta e  engolia a s&ecirc;co enquanto ia caminhando em dire&ccedil;&atilde;o ao ringue, ou seja seu  galp&atilde;o. Assim que chega v&ecirc; aquela paisagem branca de patos quase  adultos, completamente sem fome. Pareciam mais r&eacute;plicas de boeings  747-300, feito de penas. Alguns abriam as asas para o intimidar. Era  quase metros de envergadura de puro m&uacute;sculos. Os patos logo j&aacute; fizeram o  diagn&oacute;stico: era mais um calouro, e o encaravam enquanto ele caminhava &agrave;  entrada. Sabiam muito bem atrav&eacute;s de muitas gera&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o era  nenhum neg&oacute;cio para eles aceitarem a comida assim sem resist&ecirc;ncia. Caso  contr&aacute;rio, certamente seus fins seria acabarem numa embalagem pl&aacute;stica.  Os galp&otilde;es eram separados por baixas muretas de uns cinquenta  centimetros de altura. De onde estava, podia ver os 24 homens com seu  6.000 patos.&nbsp; A vis&atilde;o mais parecia um campo de batalha em estilo  medieval. Um frenesi de bra&ccedil;os e asas, mesclados com banhos de &aacute;gua  gelada alternados por tombos.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Migrantino pega timidamente  sua colher e investe contra o primeiro pato que ingenuamente pensara,  estivesse distra&iacute;do. Ao alcancar uma de suas asas, assim que&nbsp; consegue  firmar a m&atilde;o esquerda segurando-a, o pato &nbsp;lhe d&aacute; um golpe com a outra  asa que inexperientemente deixara livre. Numa r&aacute;pida contra&ccedil;&atilde;o o  arremete as uns 3 metros &agrave; frente. Os outros patos se afastam abrindo  caminnho &agrave; sua queda. Pareciam saber previamente o local exato de seu  tombo. Caindo ele deitado com as costas na &aacute;gua gelada. Ainda sem for&ccedil;as  pra levantar, ele se lembra do coice que certa vez levara de um burro  na fazenda de seu tio quando ainda era adolescente. Mas&nbsp; jamais  imaginara que um dia, um simples pato pudesse fazer o mesmo. Mesmo sendo  um pato de primeiro mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda envergonhado sobre os  olhares satisfeitos da plat&eacute;ia, ele levanta. Seu agressor j&aacute; o espera do  outro lado para o pr&oacute;ximo assalto. Sabia que n&atilde;o poderia jamais se  intimidar. Tinha que enfrent&aacute;-lo e finalmente mostrar quem mandava al&iacute;.  Mas desta vez resolveu ir com mais cautela. Come&ccedil;ou rodeando o pato como  quem n&atilde;o queria nada. Mas esquecera que nao estava lidando com nenhum  amador. O pato era um veterano. J&aacute; estava no seus quase dois meses e  meio de vida, e j&aacute; houvera acumulado experi&ecirc;ncia o bastante para fazer  valer sua abstin&ecirc;ncia alimentar. Portanto ia dar o melhor de si para  tentar prolongar sua vida ao m&aacute;ximo. Ele o vai rodeando e o pato o  olhando girando com a cabe&ccedil;a como um perisc&oacute;pio. O acompanhando em seus  movimentos. Num ato de desespero,&nbsp; Migrantino pula em cima da  ave&nbsp;tentando agarr&aacute;-lo pelas duas asas ao mesmo tempo, pois j&aacute; sabia que  n&atilde;o podia deixar nenhuma livre. Mas o pato percebe seu golpe infantil e  simplesmente se esquiva para o lado lhe deixando ir de novo &agrave; lona.  Desta vez ele cai de bru&ccedil;os e tomando mais um banho de &aacute;gua fria.  Levanta novamente e fica um tempo sentado na &aacute;gua fazendo um balan&ccedil;o  r&aacute;pido da situa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o conseguira alimentar um s&oacute; pato e tinha pela  frente ainda 250 deles. Mas o que &nbsp;n&atilde;o percebia era que Alex estava  assistindo tudo. Depois de sua segunda tentativa, resolve enfim  intervir, agindo como uma esp&eacute;cie de t&eacute;cnico.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como em todo servi&ccedil;o em  Londres, as pessoas n&atilde;o costumam ensinar como fazer. Simplesmente te  jogam no local de trabalho. Sem nenhum treinamento pr&eacute;vio, mas por um  lado e at&eacute; justific&aacute;vel. Devido a alta rotatividade de funcion&aacute;rios, os  mais antigos j&aacute; n&atilde;o tem mais paci&ecirc;ncia para ficar repetindo as mesmas  intru&ccedil;&otilde;es. Alex ent&atilde;o lhe confessa que desenvolvera uma t&eacute;cnica para  surpreender as aves. Migrantino, como j&aacute; tinha quase certeza que &nbsp;os  animais tamb&eacute;m pensavam, depois de sua experi&ecirc;ncia com o cachorro,  resolveu n&atilde;o arriscar deixar Alex falar perto dos patos e lhe puxou para  um canto &agrave; parte, sobre os olhares curiosos das aves. &ldquo;&Eacute; o seguinte&rdquo;&hellip;  diz Alex, num tom de cochicho. Voc&ecirc; jamais pode chegar logo no primeiro  pato que se apresenta. Geralmente o que fica na linha de frente &eacute; o pato  alfa. Uma esp&eacute;cie de l&iacute;der. &Eacute; l&oacute;gico que ele estar&aacute; preparado. O que  foi seu erro inicial. E pior, voc&ecirc; insistiu no mesmo pato. Se eu n&atilde;o  chegasse a tempo e voc&ecirc; fizesse mais uma investida atrapalhada, seria  sua completa desmoraliza&ccedil;&atilde;o. Faz o seguinte: pegue sua colher e vai  andando no meio deles e quando achar seu alvo e decidir atacar&hellip; &ldquo;espera  um&nbsp; pouco cochicha com alex&rdquo;. E d&aacute; uma r&aacute;pida olhada em volta, pra  checar se n&atilde;o tem nenhum pato espi&atilde;o, e volta o rosto de novo para Alex,  que continua: pois &eacute;, quando estiver localizado o pato da vez, sem &eacute;  claro que ele perceba, vai com suas duas m&atilde;os num golpe r&aacute;pido na jun&ccedil;&atilde;o  frontal de suas asas e segure firme. Mas com muita for&ccedil;a, n&atilde;o d&ecirc; espa&ccedil;o  para ele contra&iacute;-las e depois trave elas uma na outra. J&aacute; rendido, voc&ecirc;  abre o bico dele e enfia a ra&ccedil;&atilde;o bem no fundo da garganta. Depois e s&oacute;  destravar suas asas e&nbsp; come&ccedil;ar os outros 249 procedimentos novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alex d&aacute; suas instru&ccedil;&otilde;es e o  deixa sozinho. Mas desta vez j&aacute; instru&iacute;do ele consegue finalmente aos  poucos dominar seu bando, apesar alguns inevit&aacute;veis tombos. Consegue com  muita dificuldade alimentar alguns. Mas o servi&ccedil;o era demasiadamente  pesado, pois tinha de fazer muita for&ccedil;a e isso repetido todos os dias a  princ&iacute;pio parecia uma tarefa quase imposs&iacute;vel, e pensar novamente em sua  rotina que teria de seguir, ficava ainda mais desanimado. Tinha de  trabalhar tr&ecirc;s horas e descansar duas sucessivamente. De quinze em  quinze dias tiraria um dia de folga. Quando estes duzentos e cinquenta  patos estivessem prontos para o abate, ai viriam outra turma de duzentos  e cinquenta. A &uacute;nica vantagem era que seriam patos menores e mais  inexperientes. Seria com certeza mais f&aacute;cil no in&iacute;cio, mas na metade de  suas vidas j&aacute; come&ccedil;avam a dar muito trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda tinha um agravante. Nas  horas de descanso,&nbsp; Migrantino n&atilde;o conseguia pensar em nada que n&atilde;o  inclu&iacute;sse patos. Sonhava com patos, gansos, marrecos e toda as esp&eacute;cies  similares. &Agrave;s vezes acordava assustado de um pesadelo. Sonhava com as  aves o perseguindo, tentando &nbsp;lhe matar. Uma noite, sonhara que estava  em um grande tribunal, e sendo julgado por alimentar patos for&ccedil;osamente.  O pior era que todos no tribunal eram patos, desde o promotor, passando  pelas testemunhas, e principalmente o juiz era um grande pato branco,  vestido com sua toga e com seu martelo em uma das asas batendo tr&ecirc;s  vezes na mesa e o condenando a ser alimentado por patos for&ccedil;osamente at&eacute;  que tivesse no ponto para ser finalmente abatido. Acordava assustado e  todo suado. &nbsp;Era rara uma noite em que n&aacute;o tivesse pesadelos  relacionados a patos. E para completar, nas tr&ecirc;s refei&ccedil;&otilde;es que tinha,  serviam sempre carne de pato. Enfim depois de dois meses nessa rotina,  ele achava que iria enloquecer caso continuasse naquela fazenda. Numa  noite, ao conversar com Alex, resolveu que ia fugir, pois se tentasse  negociar sua sa&iacute;da, poderiam imped&iacute;-lo de ir embora e Alex acabou por  segui-lo, pois tamb&eacute;m j&aacute; nao aguentava aquele servi&ccedil;o.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Finalmente eles se preparam  numa noite anterior, deixando j&aacute; tudo preparado para escaparem de  madrugada. Apesar de ainda estar nevando, mesmo assim decidiram que n&atilde;o  poderiam mais ficar. Alex que j&aacute; conhecia a regi&aacute;o, sabia que um &ocirc;nibus  transitava naquela redondeza e poderia lev&aacute;-los at&eacute; a esta&ccedil;&atilde;o da pequena  cidade. Sairam ent&atilde;o e conseguiram ganhar a estrada at&aacute; que pegaram o  &uacute;ltimo &ocirc;nibus que o levariam &agrave; esta&ccedil;&atilde;o. Mas ao descer e caminharem em  dire&ccedil;&atilde;o a mesma, notaram que estava fechada. Portando n&atilde;o poderiam  seguir viagem e muito menos voltar. At&eacute; porque n&atilde;o havia mais &ocirc;nibus  antes do amanhecer. O frio era intenso e n&atilde;o poderiam de maneira alguma  ficar al&iacute; parados. Correriam o risco de se congelarem e at&eacute; morrer por  hiportemia. Migrantino ent&aacute;o encontra umas folhas de jornal e como  sempre andava com um isqueiro para emerg&ecirc;ncias, resolveram fazer uma  fogueira para poder se aquecerem. O que n&atilde;o durou muito,&nbsp; at&eacute; aparecer  uma viatura policial e os obrigaram a apagar o fogo. Na inglaterra eles  tem pavor de fogo mesmo em numa nevasca. Como eram ilegais n&atilde;o poderiam  pedir carona a pol&iacute;cia com medo de serem descobertos, e acabaram ficando  na mesma situa&ccedil;&atilde;o anterior. N&atilde;o lhe restavam outra op&ccedil;&atilde;o, se nao cair  na estrada e tentar pedir carona. O que era muito improv&aacute;vel que  conseguissem, pois n&atilde;o costumam dar carona a estranhos, muito menos a  dois homens.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aos poucos o p&acirc;nico come&ccedil;ou a  tomar conta dos dois, pois sabiam que n&atilde;o poderiam ficar muito tempo  andando na neve sem que seus p&eacute;s congelassem. Caso isso acontecesse  fatalmente n&atilde;o comseguiriam mais andar e provalvelmente morreriam  congelados se n&atilde;o fossem socorridos &agrave; tempo. Resolveram ent&atilde;o caminhar  no meio da estrada, onde a neve estava mais batida pelo movimentos dos  carros. Combinaram entre eles que se algum deles ca&iacute;ssem, o outro teria  que continuar andando pra buscar socorro. Nestas horas parece que toda  sua vida lhe passava pela mente, como se ele pudesse ver sua morte  iminente. Mas resolve n&atilde;o pensar, apenas andar, at&eacute; que avista uma luz  entre as &aacute;rvores bem a sua esquerda e resolve chegar at&eacute; mais perto,  onde para sua felicidade era um hotelzinho de beira de estrada. Os dois,  mais aliviados apesar de quase congelados, perguntam ao recepcionista  se h&aacute; vagas e ele balan&ccedil;a a cabeca afirmativamente e diz que a di&aacute;ria  era 20 libras. Migrantino lhe responde: pagaria at&eacute; 1000 libras. H&aacute;  cinco minutos atr&aacute;s pensavamos que iamos morrer congelados.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ja com o corpo submerso na  banheira de &aacute;gua morna, ele da um suspiro de al&iacute;vio e promete pra si  mesmo, que jamais saira de Londres para se aventurar no interior  novamente. No dia seguinte, j&aacute; restabelecidos tomam o primeiro &ocirc;nibus  que os deixaram na esta&ccedil;&atilde;o, de onde seguiriam viagem para Londres.  Durante a viagem ele podia lembrar ainda de Carlos ao lhe dizer do  emprego na fazenda de patos e ingenuamente se imaginando sentado em um  banquinho jogando milhos para os patinhos.</p> ]]></description>
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